Álcool versus Musculação

Passado o carnaval, meus alunos retornam às aulas reclamando que perderam volume muscular e ganharam gordura em apenas 1 semana de pausa do treino. Sentem-se revoltados pois pegaram pesado durante meses em meus treinos nada leves e, mesmo assim, tudo se esvaiu. Percebo até certa cobrança como se a culpa fosse minha, mas depois de ouvir as queixas pergunto como foi o feriado e na resposta vem a causa do desastre: a bebedeira em jejum.

A folia carnavalesca ou mesmo o simples happyhour diário que alguns alunos curtem com bastante bebida, seja o destilado ou a cerveja, causam grande trabalho ao aparelho digestivo. O processo de absorção do álcool é relativamente rápido (90% em uma hora). Porém o mesmo não ocorre com a eliminação, que demora de 6 a 8 horas e é feita através do fígado (90%), da respiração (8%) e da transpiração (2%). Nesse processo o estômago precisa fabricar mais suco gástrico, o fígado produz mais bile além de ter que neutralizar as toxinas presentes pelo álcool, o intestino necessita produzir mais suco entérico e, no geral, o metabolismo fica mais lento.

Mesmo que fosse alimentado, pois na folia não se tem tempo de comer entre uma lata e outra de bebida, o organismo não consegue absorver os nutrientes através do intestino delgado — principalmente as vitaminas B1, B6, B3 e o ácido fólico (vitaminas essenciais para aumento de massa muscular.). Isso faz com que a pessoa tenha desidratação, falta de apetite e provoca queda acentuada de potássio, magnésio, cálcio, zinco e fósforo. Além disso, o álcool é hiper-estrogênico, ou seja, nas mulheres faz seu fígado produzir muito hormônio feminino (estradiol/estrona), e nos homens esse efeito silencioso é refletido na inibição dos receptores da testosterona no tecido muscular e hipotálamo.

Conforme a comparação de calorias abaixo, o álcool é bastante calórico, o que provoca aumento da glicemia (açúcar no sangue). Em consequência há aumento de cortisol (hormônio do catabolismo) e insulina que ocupa os receptores de somatomedina-C, que junto da queda de testosterona circulante, joga seu desenvolvimento muscular pelo ralo e aumenta a taxa de produção de gordura no tecido adiposo.

Na bebedeira cotidiana os danos são ainda mais graves, uma vez que o treino apenas promove o inchaço da fibra mas a força muscular não vem. O álcool então aumenta a fadiga e a agressividade enquanto a libido e ereção diminuem. Sem falar no sono prejudicado, que junto da dieta desequilibrada atrapalham todos os 3D's de minha teoria do treino eficiente (Dieta, Descanso, Desporto).

Portanto o efeito do álcool para o treino muscular é devastador, assim como um tsunami que carrega para longe os nutrientes e as proteínas, deixando um emaranhado de gordura no lugar. E dessa forma explico aos meus alunos desesperados o porquê deles terem perdido em pouco tempo todo o trabalho de meses de treinos pesados.

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Veja a comparaçăo:
- 1 grama de proteína = 4 calorias;
- 1 grama de carboidrato = 4 calorias;
- 1 grama de álcool = 7 calorias;
- 1 grama de gordura = 9 calorias.

1 comentários:

Carol disse...

Ainda bem que deixei essa vida de bebida rsssssss