Superação artística



A cada dia vejo os artistas e atletas se superando, quebrando barreiras, ultrapassando limites e explorando o físico de maneira mais intensa, densa e tensa. Nos musicais as coreografias ficam cada vez mais rápidas e atléticas, nas peças teatrais o corpo do ator ganha cada vez mais expressividade e função cênica, na dança então o virtuosismo engloba a ginástica olímpica e as acrobacias circenses. Mas como ter um corpo que suporte essa demanda física sem que se arrebente?

Muitos colegas do elenco de Cats no Brasil saíram machucados, com hérnias, entorses e luxações. O elenco de Gaiola das Loucas, ainda em cartaz, também teve seus feridos, assim como atores de New York, New York que ainda nem estreou mas que já apresenta atores machucados em ensaios. Estudos de associações médicas americanas apontam que Cats, Les Miserables e Miss Saigon são os musicais da Broadway que tiveram maiores índices de lesões em seus elencos. Será falta de preparo físico? Será Overuse? Será Overtraining?

Acredito que a somatória dessas suposições é o que determina a sobrevivência do artista no palco.  Vários estudos apontam nessa direção, ainda mais quanto a falta de preparo físico para o suporte da demanda exigida nessas produções. Resta saber:  Por que os atores não se preparam adequadamente? Por que lhes falta músculos e articulações fortes? Por que lhes falta suporte nutricional adequado? Por que lhes falta controle biomecânico das sobrecargas nos movimentos cênicos? Porque lhes falta informação.

E apesar da falta de informação, apesar da falta de preparo físico adequado, esses artistas continuam se superando e reinventando a cada dia. Admiro e acho lindo ver um ator/bailarino buscando ultrapassar seus limites, com o suor escorrendo em  seu semblante que tenta esconder o esforço e a dor, camuflado atras de um personagem no palco. Como disse Stanislavsky, trata-se de "10% inspiração e 90% transpiração". Mas até quando conseguiremos continuar?

1 comentários:

Anônimo disse...

Recentemente vi no cinema Cisne Negro, um filme que mostra bem os extremos da superação física e psicológica chegando a loucura. Acho que por mais bela que seja uma acrobacia ou uma performance ela precisa respeitar os limites do executor e pra isso é essencial estar bem preparado. Nós somos condicionados a estudar para exercer nossas funções no trabalho com qualidade, então por que não exercitar o corpo para garantir uma vida mais saudável? É cultural!
Sempre estive envolvido com esporte e afirmo que meu caráter foi moldado nas quadras de vôlei, piscinas e academias, nesses lugares superai meus limites físicos e me tornei o que sou hoje.
Fernando Ferreira Bassin