Angulo de exercício


Outro dia um aluno veio me perguntar sobre a diferença de fazer supino reto, inclinado ou declinado. Será verdade que cada um pega uma porção do peitoral? Ou será lenda?

Na verdade a variação de angulo, seja do supino ou qualquer outro exercício, é de difícil mensuração por estudos biomecânicos e poucos relatam o que muitos insistem em propagar pelas academias: que tal angulo pega mais fibras de tal porção.

Procuro sempre basear minhas opiniões e treinos em estudos científicos, em geral nas análises biomecânicas que já tenham sido relatadas em literatura científica. Mas essa lenda de supino inclinado "pegar mais a porção superior" e o declinado mais a inferior é uma idéia que tem sido passada através dos séculos... mas sem muito respaldo da ciência.

Sabemos que a ordem e magnitude do recrutamento de diferentes músculos pode ser um dos fatores responsáveis por ganhos de força específicos nos diferentes exercícios, segundo Fleck (2007). E que a mudança de posição corporal altera também a ordem de recrutamento e dessa forma   usa de  diferentes fibras musculares (Grimby e Hannerz 1977; Matheson et al 2001).

Essa mudança de ordem e diferenciação de recrutamento das fibras musculares é o que explica o porquê dos professores passarem vários exercícios de um mesmo grupo muscular, alguns alterando angulo e posição do corpo. Como é o caso do peitoral, com exercícios de supino, crucifixo e pullover. Trata-se apenas de uma tentativa de buscar abranger mais fibras desse grupo muscular em diferentes posições e ordens de recrutamento.

Quanto ao caso específico do supino, sabemos que no inclinado há grande auxílio do ombro porção anterior, enquanto que no declinado essa participação diminui bruscamente. Sendo assim, alguns ângulos diferem quanto ao grau de participação do músculo sinérgico (auxiliar). Mas no supino não se tem certeza quanto a maior ativação apenas das fibras externais (meio do peito) ou claviculares (superiores).

Isso porque o músculo ou se contrai como um todo, ou não se contrai. Segundo a teoria do "tudo ou nada" de ativação das unidades motoras, quanto mais unidades motoras presentes no músculo forem ativadas, maior será a força desenvolvida. Assim temos que o músculo não tem a capacidade de contrair somente uma porção de si, deixando a outra extremidade sem trabalho.

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