Avaliação Física

Na Academia Competition onde dou aula sempre peço aos meus alunos para fazerem a avaliação física inicial. Mas muitos torcem o nariz com preguiça ou avareza... Não querem se cansar na bicicleta e nem pagar pela constatação científica de algo que já sabem: alta gordura corporal e sedentarismo. Mas ela é muito importante, seja na inicial ou nas outras de manutenção. Afinal, você sabe o que é uma boa avaliação física?

Uma avaliação bem feita é aquela em que se utiliza critérios e protocolos bem selecionados, fornecendo dados quantitativos e qualitativos que indique, através de análises e comparações, a real situação em que se encontra o avaliado. Além disso, as avaliações devem ser periódicas e sucessivas, permitindo uma comparação para que possamos acompanhar o progresso do avaliado com precisão, sabendo se houve evolução positiva ou negativa.

Não se trata de fazer um checkUP completo pré-treino, mas nesse exame mais básico de academia temos de analisar algumas variáveis fundamentais: antropométricas; composição corporal; análise postural; e limiares metabólicos e fisiológicos em resposta ao exercício.

Trabalhei com avaliação física durante 2 anos no RunLab, o laboratório de avaliação física da Runner academia. Era um laboratório terceirizado que hoje não mais presta serviços à academia. Mas tiveram o mérito de criar um procedimento muito eficiente e completo para as necessidades do professor ao montar um treino aos alunos de musculação. Era dividido em 3 fases:

1) avaliação antropométrica
2) avaliação de esforço ergométrico
3) avaliação postural

Essa fórmula é a mais básica e que fornece o mínimo suficiente para que o professor conheça em números e medidas avaliativas o aluno que ele irá treinar. Reflete ainda o que é minimamente sugerido pela ACSM (American College of Sports Medicine).

Vamos entender cada etapa.


AVALIAÇÃO ANTROPOMÉTRICA

Os parâmetros mais utilizados para a avaliação antropométrica são as medidas primárias (utilizadas isoladamente), como peso, estatura, dobras cutâneas e circunferências e as medidas secundárias (combinadas) como Índice de Massa Corporal (IMC), peso ideal, somatória de dobras cutâneas, entre outros.

Diversos são os protocolos e cada academia opta por um deles. Há programas de computador que estão já desenvolvidos para fazer os cálculos necessários a partir dos números que o avaliador colhe.

  • Medidas Básicas
Altura, peso e proporções dos segmentos.







  • Circunferências
As circunferências predizem gordura corporal e analisam os padrões de distribuição dessa gordura. As circunferências que podem ser mensuradas são: pescoço, tórax, cintura, abdômen, quadril, coxa, panturrilha, braço, antebraço e punho. A relação das circunferências da cintura e do quadril (C/Q) pode ser usada para identificação do risco de doença cardiovascular (REZENDE, 2007).

  • Dobras cutâneas
As dobras cutâneas nos dão a estimativa da composição corporal a partir da avaliação da espessura em milímetros. Utiliza-se o adipômetro, também chamado de compasso de dobras cutâneas. Este é um método de fácil obtenção de dados e baixo custo, sendo útil e praticável em grandes estudos de campo. Quando realizado pelo mesmo avaliador, permite um resultado fidedigno. As principais dobras cutâneas mensuradas são: tríceps, bíceps, subescapular, peitoral, antebraço, axilar média, supra-ilíaca, abdominal, coxa e panturrilha. A somatória das dobras, aplicadas a um protocolo específico ao caso, prediz a adequação de gordura corporal em porcentagem (NETO & CÉSAR 2005).

  • Índice de massa corporal (IMC)
O IMC é obtido a partir do peso de um indivíduo dividido por sua estatura ao quadrado. É recomendado para o diagnóstico e classificação da obesidade, porém não expressa a composição corporal relativa ou quantitativa. Por isso, este método não é indicado para avaliação de atletas, pois nãodiferencia hipertrofia muscular de obesidade. O IMC juntamente com outras variáveis, como por exemplo a circunferência da cintura, permite a identificação de risco de doenças cardiovasculares e analisam os padrões de distribuição da gordura corporal (HENRY, 1990).

Leia mais sobre IMC.

  • Bioimpedância
Um outro método de avaliação da composição corporal é a bioimpedância, que baseia-se na condução de uma corrente elétrica de baixa intensidade (800 microA - 50 kHz), que percorre o corpo, medindo a resistência que é oferecida pelos vários tecidos do organismo, quantidade de água corporal total, percentual de gordura e massa magra corporal.




AVALIAÇÃO ESFORÇO ERGOMÉTRICO

Os estudos ergométricos envolvem medições dos mais diversos tipos de esforço físico tais como os esforços musculares de trabalhos efetuados em Esteira ergométrica ou bicicleta ergométrica (Cicloergômetro). Faz o registro da atividade elétrica do coração durante o esforço físico e permite ainda avaliar o comportamento da pressão arterial, os sintomas do paciente e a sua aptidão física.

Em relação as doenças cardiovasculares, o teste de esforço é utilizado para o diagnóstico, avaliação do tratamento ou estimativa de complicações futuras (prognóstico).

Consiste em submeter o aluno a um esforço físico crescente , através da utilização de um ergômetro , que pode ser uma esteira (o mais comum) ou uma bicicleta.Utilizam-se protocolos (programas que determinam a forma de acelerar e/ou inclinar a esteira), de acordo com as características clínicas do paciente e a finalidade do exame.

Geralmente o objetivo do teste de esforço é fazer com que o paciente atinja pelo menos 85% da frequência cardíaca máxima (FCM).

Periodicamente será perguntado ao paciente a respeito de seus sintomas ao esforço, como cansaço (esse deverá ser quantificado), falta de ar, dor no peito, peso nas pernas, tonturas, etc... Após o término do esforço, realiza-se na recuperação um novo eletrocardiograma e um nova medida da pressão arterial.

Numa avaliação de ergoespirometria mede-se a capacidade de utilização do oxigênio e de eliminação do gás carbônico produzido pelo metabolismo depende da integração e funcionamento de vários sistemas e, mais particularmente, dos aparatos cardiovascular e respiratório.

Nessa avaliação mais apurada obtém-se mais precisamente o grau de aptidão físicas do aluno, seus limiares metabólicos e o VO2 máximo.


importante entender...

Os ajustes cardiovasculares ocorrem para que possa haver um aumento de fluxo sanguíneo aos territórios musculares em atividade, em função de um aumento da demanda metabólica local, com consequente aumento do consumo de oxigênio.

O aumento do débito cardíaco é resultante do aumento da frequência cardíaca e do volume de ejeção sistólico. Durante o exercício, mediado por um comando central e por reflexos periféricos, ocorre aumento de descarga simpática e diminuição do tônus vagal, que, sinergicamente, promovem elevação da frequência cardíaca. Esse aumento é linear, em relação ao consumo de oxigênio, e atinge seu valor máximo no mesmo patamar em que é máxima a captação de oxigênio.

Ou seja, conforme o exercício fica mais difícil, mais oxigênio é requerido até que o corpo chega num máximo de captação e uso desse oxigênio. Esse é um limiar que controla a Frequência cardíaca máxima de treino do atleta de academia. E nesse ponto o teste chega a seu objetivo.



AVALIAÇÃO POSTURAL

Busca-se identificar desvios mais evidentes a fim de evitar a prescrição de exercícios que possam vir a agravá-los, além de encaminharmos o aluno a um desses especialistas quando percebermos desvios importantes.
  • Simetrógrafo

    Com a utilização do Simetrógrafo identificam-se os desvios posturais mais evidentes, por meio da observação de pontos anatômicos específicos que  indicam possíveis assimetrias decorrentes desta alteração postural.
 Os principais desvios posturais buscados são os seguintes:

–Hiperlordose
–Hipercifose
–Escoliose
–Pés planos ou cavos


AVALIAÇÃO FLEXIBILIDADE

Busca-se qualificar o aluno num grau de flexibilidade a fim de melhorar a amplitude articular de modo que o treino de musculação seja mais eficiente.

Os métodos para medida e avaliação da flexibilidade podem ser classificados em função das unidades de mensuração dos resultados:



Testes Angulares - são aqueles que possuem os seus resultados em ângulos
Testes Lineares - se caracterizam por expressar os resultados em um escala de distância

Avalia-se a flexibilidade para:
  •  Estabelecer parâmetros para prescrição de exercícios de alongamento (trabalho de flexibilidade).
  •  Identificar grupos músculos-articulares com pouca flexibilidade possibilitando enfatizar aquelas regiões com exercícios de alongamentos.
  • Avaliar a flexibilidade periodicamente é importante par verificar as possíveis alterações na amplitude do movimento com o passar dos anos.
  • Estabelecer correlação entre dores muscúlos-articulares ao encurtamento músculo-tendíneo e relacionar a melhora do paciente com o aumento da flexibilidade.
  •  Identificar encurtamento músculo-tendíneo em sua fase inicial, sendo mais fácil seu tratamento.
  • Conhecer a amplitude de movimento de várias articulações pode ajudar nas comparações intra-grupo, entre indivíduos de mesma faixa etária e sexo, com outras populações e ainda verificar se há por exemplo, diferenças de flexibilidade entre um membro dominante de outro não dominante.

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