Prescrição de treino

Tenho recebido duvidas sobre a montagem de um programa de treino, originadas pelo post sobre Variáveis da Musculação. Lembro que somente um profissional de Educação Física esta habilitado para esse tipo de prescrição, mas para sanar essas duvidas vou indicar os pontos que um personal trainer deve pensar para te orientar num programa qualificado e eficiente.

Já aviso que não existe receita de bolo, ou melhor, de treino, que se adéque a todos. Cada indivíduo tem suas peculiaridades. Por isso, tenho receio dos treinos e programas que são publicados em revistas prometendo definição, aumento de peitoral ou bunda. E a razão disso você entenderá nas linhas abaixo.

Além disso, acho importante este post pois assim você terá mais subsídios para discutir com seu professor as estratégias que ele escolheu para te ajudar a alcançar seus objetivos. E assim você se mantem mais informado e motivado durante as sessões de musculação. É o que chamo de musculação consciente.


1. ANAMNESE

Rodrigues e Carnaval (1999) escreveram sobre a importancia de uma boa anamnese na avaliação inicial do aluno: a chamada avaliação morfofuncional. Ela deve preceder a proposta de treino e o acompanhamento contínuo do mesmo, seguido de reavaliação do programa, sempre que necessário.

Parece simples e tolo, mas ja vi professores de academias que imprimem programas e orientam o aluno sem nem mesmo saber se ele possui alguma restrição ou inabilidade física.

Tratando da avaliação inicial, o ideal seria que fosse composta de exame clínico, tomada das medidas biométricas, exame postural, avaliação dos resultados para daí então a realização da confecção de ficha de cotidiana a ser seguida nos treinos.

Já tratei da avaliação física aqui e a zona de treino ideal.

Pitanga (2000) justifica a importância da anamnese pois o professor obtem informações sobre a aptidão física e detalhes do cotidiano e estilo de vida do aluno. Que ofereceram subsídios para o entendimento de futuras interferências na prática esportiva, assim como suas preferências por atividades na academia.


2. ORGANIZAÇÃO DO PROGRAMA

Definido o objetivo do treino e consideradas as restrições observadas na anamnese, o programa será prescrito levando-se em conta alguns critérios:

- tempo disponível para o treinamento (horas por dia, dias da semana),
- o material disponível (equipamentos e sobrecargas adequadas),
- a idade, o gênero e condição física do aluno (lesionado, enfermo, descondicionado)
- habilidades motoras do aluno (iniciante, avançado)
- número de exercícios por sessão (recomendado entre oito e quinze)
- ordem anatômica de execução dos exercícios (partindo dos maiores e mais fortes grupamentos musculares, dependendo da individualidade ou objetivo do aluno, cliente ou praticante).

Este último tópico é de extrema importância. A escolha dos exercicios é o que difere um bom personal trainer. Não basta selecionar exercícios, mas deve-se saber se o que foi prescrito de fato trabalha a musculatura proposta. E isso somente estudos biomecânicos podem dizer. Sendo assim, a escolha do professor deve ser baseada em conhecimento cinesiológico dos movimentos.

As variáveis da musculação também são consideradas nesta etapa de desenvolvimento do programa de treino.

3. ACOMPANHAMENTO

Também de grande relevância é a fase de acompanhamento e a escolha do momento de reavaliação do programa. Treinando com um personal trainer, ele saberá adaptar e modificar o treino a cada dia, de acordo com seu desempenho. E ainda potencializando o treino a medida que ficar mais facil.

Caso você não tenha um personal, o professor de sala é que deve avaliar seu desempenho, acompanhar sua evolução e discutir, periodicamente, o progresso do treino. Vocês devem conversar constantemente a respeito de sintomas ou adaptações positivas, de modo que a condução do treino seja mais eficiente.

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