Propriocepção

Você sabe o que é propriocepção? Sabe sua importância na musculação? Sempre trabalho essa capacidade com meus alunos, ainda mais em treino de personal training. Mas vejo na academia que muita gente não sabe do que se trata. Vamos conhecer mais...

Propriocepção é o termo utilizado para nomear a capacidade em reconhecer a localização espacial do corpo, sua posição e orientação, a força exercida pelos músculos e a posição de cada parte do corpo em relação as demais, sem utilizar a visão (Martimbianco – 2008).  

As alterações na posição, estiramento e tensão nas articulações são monitorados por receptores sensoriais localizados dentro dos músculos e tendões. As informações reunidas por proprioreceptores são continuamente conduzidas às porções consciente e inconsciente do cérebro e são importantes para a aprendizagem motora (Hutton e Atwater, 1992), mantendo o sistema nervoso central informado sobre os movimentos.

Dentre os proprioceptores destacam-se os mecanorreceptores articulares (corpúsculo de Pacini, corpúsculos de Meissner e terminações nervosas livres, localizados nas articulações e são responsáveis por fornecerem informações proprioceptivas quanto ao posicionamento articular) e os mecanorreceptores tenomusculares (os fusos musculares e os órgãos tendinosos de Golgi).

FUSO MUSCULAR – monitora estiramento e alongamento do músculo no qual está inserido e inicia a contração para reduzir o estiramento muscular. O reflexo de estiramento é uma da resposta dos fusos. Se o músculo é alongado ou uma carga externa for adicionada, o nervo sensorial conduz impulso à medulo espinhal, onde há sinapses com o motoneuronio alfa que por sua vez leva o impulso nervoso ate o músculo alongado encurta e o estiramento é recuperado / diminuído. A execução do treino de força ou de pliometria com pré estiramento apresenta vantagem nesse reflexo, explicando a maior produção de força após o pré estiramento.

ÓRGÃOS TENDINOSOS DE GOLGI – localizado dentro dos tendões, reponde a tensão excessiva muscular. Caso a tensão seja grande o bastante para provocar lesão ao músculo ou tendão, ocorre a inibição do músculo ativado e a ativação dos antagonistas. Essa função não é perfeita, fazendo com que ao longo do treinamento de força seja possível diminuir os efeitos do OTG. Essa capacidade de inibição pode ser responsável, em parte, por algumas das adaptações neurais e lesões que ocorrem em levantamentos máximos dos atletas.


Imagine-se fazendo um exercício localizado de flexão e extensão do braço com uma carga de 5Kg. Ao segurá-la os músculos e a articulação do braço reagem com uma determinada postura. Os proprioceptores detectam a posição estática das articulações do cotovelo, o peso da carga e a variação do comprimento das fibras musculares em atividade. Ao iniciar o exercício de flexão e de extensão do braço, os proprioceptores detectam as mudanças de posição da articulação do cotovelo, assim como, a tensão alternada nos músculos flexores (bíceps) e extensores (tríceps), monitorando, também, o movimento do braço. 

Outra forma de entender a propriocepção referes-se a quando a mão examina ativamente um determinado objeto, manipulando-o com os dedos, o sentido proprioceptivo e o tátil são combinados no cérebro. Desse modo podemos analisar os aspectos tridimensionais das coisas que seguramos com as mãos. A leitura em Braille vale-se dessa propriedade do sistema somestésico. 


O objetivo do treinamento/tratamento proprioceptivo e cinestésico é restaurar as propriedades sensoriais das estruturas capsulares e ligamentares lesionadas e melhorar a sensibilidade dos nervos aferentes, que levam informação sensorial para o córtex cerebral. O treino da propriocepção tem sido realizado por meio de exercícios funcionais. Já escrevi um post sobre treinamento funcional. Leia mais sobre treino funcional clicando aqui.

São também treinos proprioceptivos:
  • Exercícios em cadeia fechada (com os pés apoiados no solo ou aparelho) ao longo da amplitude do movimento estimulam os receptores articulares. 
  • Uso de bandagens elásticas compressivas ou suportes (órteses) de neoprene estimulam os receptores cutâneos fornecendo informações proprioceptivas e cinestésicas 
  • Mobilização articular melhora a acuidade proprioceptiva e cinestésica consciente. 
  • Exercícios de estabilização dinâmica: requer a antecipação e a reação às cargas articulares, obtém-se colocando a articulação em situações vulneráveis, nas quais o equilíbrio dinâmico é estabelecido em situações controladas. Os exercícios de equilíbrio (giroplano, cama elástica, pedalinho, balancinho, caixa de areia etc.) e os pliométricos (saltos com obstáculos e em profundidade), são bastante adequados. 
  • Controle neuromuscular reativo: devem induzir “perturbações” articulares inesperadas, deslocamentos laterais, saltos, saltitos, deslocamentos frontais e de costas, exercícios com bola, chutes, arremessos, etc. 
  • Atividades funcionais: têm como objetivo retornar o atleta ao nível de atividade antes da lesão, restaurando a estabilidade funcional e dos padrões de movimentos específicos para o esporte, minimizando o risco de nova lesão. 
  • Por fim, os testes funcionais: o objetivo é avaliar se o atleta se este está recuperado e pronto para retornar às atividades desportivas. Neste caso, deve-se incluir exercícios que envolvam posicionamentos e manobras em que a articulação fica vulnerável, adaptando as tarefas de movimento próximas do gestual motor desportivo utilizado no esporte que atua.



Exercícios de estabilização dinâmica requerem a antecipação e a reação às cargas articulares, obtém-se colocando a articulação em situações vulneráveis, nas quais o equilíbrio dinâmico é estabelecido em situações controladas. Os exercícios de equilíbrio (giroplano, cama elástica, pedalinho, balancinho, caixa de areia etc.) e os pliométricos (saltos com obstáculos e em profundidade), são bastante adequados.


0 comentários: