Terceira Idade

Começo agora uma série de posts que tratam da atividade física para portadores de doenças crônicas. São as doenças que não tem cura e que podem debilitar o paciente quando não acompanhadas de atividade física em seus tratamentos.

No post de hoje tratarei da atividade física para a terceira idade. Obviamente que a idade não é uma doença crônica, mas certamente o idoso possui alguma doença degenerativa. Nem que seja a osteopenia ou lombalgia. Aliás as dores sempre acompanham os idosos.

No Brasil homens e mulheres com 60 anos ou mais, representam 9,3% da população de quase 187 milhões de habitantes, e, segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2006), a tendência é que a quantidade de pessoas na faixa da maturidade seja cada vez maior, devido à queda das taxas de mortalidade e de fecundidade e ao aumento da longevidade. Em 2020, os idosos devem representar 11,3% da população, prevista para 219 milhões de habitantes.

Mas apesar dos números, não raro a atividade física é negligenciada. Seja pela preguiça ou sedentarismo que apresentou durante toda a vida, ou seja pela falta de oportunidade ou recursos financeiros desse grupo.

Os benefícios da atividade física ao idoso já é mais que documentada, mas recentemente uma Pesquisa da Universidade de Washington foi publicada na revista "Journal of Sports Science and Medicine" comprovando novamente os efeitos da musculação sobre a dor crônica, problema que comumente afeta os idosos.

Com o avançar da idade aumenta a incidência de problemas que causam dor, especialmente os ortopédicos, como artroses e doença degenerativas dos ossos. Estatísticas já publicadas revelam que mais da metade das pessoas acima de 60 anos sofrem algum tipo de dor persistente.

Nesse estudo supracitado os especialistas recrutaram 97 pessoas, com mais de 60 anos, para participarem do estudo. Os participantes foram divididos em dois grupos: um foi submetido a um programa de treinamento de força (musculação) de oito semanas, e o outro não praticou das atividades para servir de controle. Antes de começarem a fazer exercícios, os participantes deviam ser liberados por seus médicos.

Foram pelo menos três sessões semanais de treino com exercícios em aparelhos para as diversas regiões do corpo. As aulas eram em grupos para aumentar a motivação e a aderência ao projeto. Para cada grupo de quatro alunos existia um treinador.

As dores de que eventualmente os participantes reclamavam foram registradas no início da pesquisa e após as oito semanas de treinamento. Para que fosse obtido um resultado confiável foi utilizado um questionário padronizado para avaliação da dor, chamado de Questionário McGill.

O grupo que treinou apresentou um aumento da força significativo do ponto de vista estatístico em todos os exercícios. O quadril e os tornozelos foram as regiões mais beneficiadas pelo treinamento. Nenhum participante apresentou lesões ou problemas relacionados ao programa.

O questionário de dor aplicado ao final das oito semanas de pesquisa mostrou que o grupo de malhadores sentia menos dor como um todo, e classificava as dores como menos intensas do que a das pessoas que não participaram do treinamento. O grupo controle que não treinou se queixava mais do que no início do estudo.

Portanto, já que está provado que a idade não deve ser uma limitação para a prática de exercícios.

Segundo Launstein (2006), musculação tem por objetivo aumentar a massa muscular, a densidade óssea, aperfeiçoando o desempenho relacionado a força, melhorando a condição funcional do aluno, fazendo com que ele realize os esforços da vida diária com mais segurança, disposição e facilidade.


Conforme citações de Nadeau & Peronnet (1985), a musculação mantêm a pressão sanguínea e a frequência cardíaca dentro de padrões aceitáveis para a idade, dificultando o acúmulo de colesterol no sangue entre outros.  Promove ainda melhor coordenação e equilíbrio musculares, preservando assim a independência dos idosos.

Um grande benefício da musculação é o entrosamento social, que ajuda a reduzir a depressão. 


A incidência de lesões durante a aula é muito reduzida, em função da ausência de choques entre as pessoas, de movimentos violentos e mínimo risco de quedas.


Pessoas idosas e sedentárias devem ser treinadas com pesos com os mesmos cuidados dispensados às crianças e aos adolescentes, com mais uma precaução: as amplitudes dos movimentos precisam ser cuidadosamente adaptadas para cada caso individual. Frequentemente, idosos apresentam retrações capsulares e processos degenerativos articulares que impedem grandes amplitudes de movimento.

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