Coluna Vertebral

Poucas dores incomodam tanto e te afastam das atividades cotidianas quanto essas dores. Até mesmo um simples aperto de mãos se reflete na coluna e queima as costas em imediato, te imobilizando. Há um mito que a atividade física provoca ou piora isso. Pura ilusão, pois quando bem executado ajuda a prevenir ou remediar essas dores. É isso o que você vai entender neste post.

A coluna vertebral é composta por 33 vértebras dispostas de cima para baixo, sendo 7 cervicais (segmento cervical), 12 torácicas (segmento dorsal ou torácico), 5 lombares (segmento lombar), e junto à bacia 5 sacrais e 4 ou 5 coccígeas fundidas (segmento sacro-coccígeo). Entre as vértebras situam-se os discos intervertebrais (24), cuja função principal é amortecer impactos.

As lesões degenerativas da coluna vertebral atingem proporções epidêmicas e preocupantes na sociedade   (ACSM, 2004; ACHOUR JÚNIOR, 2004; CAILLIET, 2001). As mais diagnosticadas são lombalgias diversas, hérnias, artroses, etc.

De acordo com Cecin et al. (2001), Cailliet (2001) e Natour (2004) a prática de exercícios físicos aeróbios, exercícios de alongamento e os de fortalecimento muscular são comprovadamente eficazes como forma terapêutica e de reabilitação física e funcional da coluna vertebral.

Os objetivos primários dos exercícios para portadores de dores vertebrais consistem em restaurar a amplitude movimentos sem dor, restauração da força muscular localizada e periférica (membros superiores e inferiores), resistência e coordenação neuromuscular e retorno às atividades normais.


Lombalgias

As lombalgias respondem pela segunda maior causa de dor no mundo - perdendo somente para as dores de cabeça - e, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, devem atingir 80% da população. Entre os fatores desencadeantes estão tumores, cistos, lesões nos nervos, nas vértebras e nos discos e, sobretudo, fatores mecânico-posturais, como má postura, fraqueza nos músculos da região e uso errado do corpo.

Lombalgia é o nome que se dá ao que é conhecida como dor nas costas na região lombar. Muitas pessoas sofrem com essas dores e elas são causas de incapacidade funcional e morbidade. O tipo mais conhecido de lombalgia é a de origem mecânica-degenerativa, caracterizada por distúrbio e/ou alteração funcional, sendo que a dor por um problema mecânico é causada pelo encurtamento dos músculos posteriores, ou seja, os músculos da região lombar, músculos posteriores da coxa e os músculos da perna.

A prática de exercícios físicos é a intervenção mais eficaz para prevenir dor na região lombar ou evitar novos episódios, segundo uma revisão científica publicada na edição de fevereiro do periódico "The Spine Journal". Pesquisadores do Departamento de Cirurgia Ortopédica da Universidade de Washington revisaram 20 artigos científicos que analisaram diferentes intervenções contra a dor lombar em pessoas com idade entre 18 e 65 anos.

Exercícios de fortalecimento muscular e alongamento podem ser realizados pela maioria dos pacientes que sofrem de dores lombares por causas mecânico-posturais, explica a fisioterapeuta Raquel Casarotto, professora de ergonomia em fisioterapia preventiva da Faculdade de Fisioterapia da USP (Universidade de São Paulo).

Entre as atividades mais recomendadas, estão as técnicas de alongamento, que diminuem o encurtamento das cadeias de músculos das costas e devem ser executadas no mínimo três vezes por semana para trazerem benefícios. Séries que contribuem para fortalecer a musculatura do abdômen também são importantes: quando esses músculos são fracos, o centro de equilíbrio do corpo é desalinhado, causando sobrecarga nas costas e dor.

Além do encurtamento da musculatura das costas e a flacidez do abdômen, a má postura também contribui para a dor. Dormir e carregar peso de forma errada e passar longos períodos em uma mesma posição ajudam a sobrecarregar a coluna. Por isso, além das atividades físicas, é preciso reeducar o corpo.

Artrose e discartrose

  O excesso de exercício físico, ou realizado inadequadamente, pode originar um processo de artrose e até mesmo acelerar uma lesão degenerativa já instalada na coluna vertebral (NATOUR et al., 2000; ACSM, 2004).  A artrose é uma lesão degenerativa caracterizada pela destruição da cartilagem articular através de lesões erosivas, resultado do envelhecimento ou a traumas e pressões desproporcionais e contínuas que as articulações possam sofrer, independente da idade, podendo gerar dor e incapacidade ao indivíduo, dependendo do local e grau de comprometimento do local afetado.

A artrose pode ser entendida como uma oxidação das articulações do corpo humano. Ocorre um acúmulo de sais de cálcio que pouco a pouco solidificam as articulações, tornando-as cada vez menos móveis e desencadeando sua deformação.


  A discartrose é um processo degenerativo que ocorre no disco intervertebral, em que este perde a capacidade de amortecimento pela redução na altura e pelo endurecimento das estruturas discais, causando dor no local afetado. O núcleo vai perdendo a sua constituição físico-química com o passar dos anos e pode se alterar completamente.

Osteofitose e estenose vertebral

O aparecimento de calcificações de ligamentos e ossificações que crescem para dentro e para fora da estrutura da coluna, geralmente nas bordas das vértebras, e que as suas imagens nos exames de raio-x se assemelham a um bico-de-papagaio é denominada osteofitose.

Nos casos em que essas manifestações diminuem o diâmetro do canal vertebral, podendo comprimir as estruturas nervosas e desencadear sinais e sintomas neurológicos, estamos diante de um quadro clínico conhecido como estenose do canal vertebral ou canal vertebral estreito (BANDY e SANDERS, 2003; NEGRELLI, 2006).

Espondilólise e espondilolistese

A espondilolistese (espôndilo = vértebra, Lise = ruptura, listese = escorregamento) pode ser definida resumidamente como uma deformidade em que uma vértebra desliza sobre a outra e provoca um desalinhamento da coluna. Ocorre principalmente em atletas cujos exercícios demandam hiperextensão da coluna.

Essa lesão pode ocorrer por desgaste das articulações responsáveis pela sustentação, ou defeito na parte posterior da vértebra. Esse defeito na parte posterior é denominado espondilólise (STARKEY e RYAN, 2001; ABREU e SIMÕES, 2006).

Hérnia discal

A hérnia de disco é uma das principais causas de dor na coluna, em especial na região lombar, pois esta região suporta maior peso corporal e ocorrem sobrecargas maiores. A hérnia de disco surge como resultado de repetidos microtraumas na coluna ou por um severo trauma, que com o tempo vão lesando as estruturas do disco intervertebral. O envelhecimento pode ser um fator de degeneração do disco fazendo com que o anel fibroso se rompa e permita o deslocamento do núcleo em direção ao canal vertebral (ROCHA, 2006; MERCÚRIO, 1997).





A hérnia de disco ocorre quando parte — ou até mesmo o disco inteiro — “escorrega” para trás ou para o lado. O disco é composto por um núcleo, que chamamos de núcleo pulposo, e por um anel redondo: o anel fibroso. Tanto o núcleo quanto o anel podem escorregar, causando uma pequena hérnia, denominada protusão ou uma hérnia maior, quando afeta essas duas composições. Embora tenhamos discos entre todas as vértebras — cervical, dorsal ou lombar —, a hérnia mais comum é a da região lombar.

O exercício em si não provoca a hérnia de disco, a não ser que a pessoa faça movimentos repetitivos de forma errada, com a postura errada. Bulhões (et al, 2007) cita como fator de risco para o desenvolvimento da degeneração do disco intervertebral a ausência da prática de exercícios físicos regulares.

A hérnia surge quando se aumenta a compressão discal, fazendo o disco se romper. Ou então quando a pessoa enfrenta muita oscilação – no caso dos caminhoneiros, por exemplo, que estão sempre dirigindo em postura ruim.  A ocorrência principal se dá nas regiões cervical e lombar.

A causa principal que leva a essa discopatia são os distúrbios posturais estáticos e dinâmicos, principalmente associados às atenuações ou às acentuações das curvaturas anatomofisiológicas da coluna (Teixeira e Guedes jr., 2010; Alves, 2010).

O que deve ser levado em consideração é que pessoas com hérnia de disco assim como outras disfunções na coluna vertebral apresentam limitações o que exige um acompanhamento individualizado.

Sendo assim, o programa de treinamento tem como objetivo o fortalecimento dos músculos estabilizadores da coluna (multífidos e transverso do abdômen), buscando um melhor controle intersegmentar através de exercícios específicos que inclui Musculação, Pilates, Treinamento Funcional e Reeducação Postural, respeitando os princípios da adaptação neural, da individualidade do cliente e principalmente da continuidade do treinamento, visando o ganho de estabilização, força e flexibilidade.

Antes de mas nada, é preciso fortalecer a região lombar, pois está compõe juntamente com o abdomen os músculos paravertébrais, e são solicitados em quase todos os exercícios. Teixeira e Guedes Jr. 2010; Alves, 2010 (apud Simão 2007) afirmam que os “problemas nas costas” podem ser minimizados com exercícios que fortaleçam os músculos abdominais e a musculatura do dorso. Pode-se realizar exercícios de Extensão de tronco com rotação para ambos os lados ou exercícios isométricos (ponte ventral, dorsal, e lateral), além é claro de abdominal.

Os exercícios isométricos são de grande valor para a coluna cervical, abdominal, glútea e paravertebral nas osteoartroses da coluna, sendo que a sobrecarga mecânica é pequena quando realizada corretamente, isso implica em não utilizar contrações máximas inicialmente. Na coluna lombar o trabalho muscular isométrico deve sempre ser complementado com um programa de fortalecimento isotônico, enfatizando paravertebrais e abdominais (BARROS FILHO, 1995; BASILE JÚNIOR, 1995).

Mas lembre-se: se as dores existirem devido a determinado exercício, o mais correto é evita-lo.

0 comentários: