Diabetes

Dando continuidade às doenças crônicas e degenerativas falo hoje sobre o diabetes, que afeta 21 milhões de brasileiros e outros 40 milhões correm o risco de adquirir a doença já considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) uma epidemia mundial. Será que o diabético pode fazer exercícios na academia?

Essa pergunta é facilmente respondida pelo Ministério da Saúde, que recentemente divulgou que os brasileiros  estão morrendo cada vez menos de doenças respiratórias e cardiovasculares e cada vez mais de câncer e diabetes.  Isso devido ao estresse, sedentarismo e maior consumo de açúcar e gordura em alimentos industrializados, que aumentou em 10% a mortalidade dessa doença no país de 1996 a 2007.

Ou seja, se o brasileiro fizesse mais exercícios, não desenvolveria a doença ou reduziria seus efeitos nocivos. E reduziria também as doenças associadas, o que é ainda melhor. Dessa forma, o diabético PODE e DEVE ir pra academia.


Os dois principais tipos de diabetes são:

Diabetes mellitus tipo 1 ( DM1 ) é uma doença auto-imune caracterizada pela destruição das células beta produtoras de insulina no pâncreas. Essas células são identificadas pelo organismo como corpos estranhos e por isso atacadas e destruídas. Quando isso acontece  o organismo deixa de produzir insulina (ou produz apenas uma quantidade muito pequena.) e necessita de injeções diárias de insulina para regularizar o metabolismo do açúcar. Sem insulina  a glicose não consegue chegar até às células para ser usada como fonte de energia.

Diabetes mellitus tipo 2 ( DM2 ) é caracterizado pela relativa resistência à ação insulínica. O problema está na incapacidade de absorção da glicose pelas células musculares e adiposas por meio da insulina. Ocorre em indivíduos obesos com mais de 40 anos, de forma lenta e com história familiar de diabetes, que não ficam dependentes da insulina exógena. Mas necessita de medicamentos orais para controle da glicemia. A metformina reduz a produção de glicose pelo fígado, a sulfoniluréia estimula a secreção de insulina pelo pâncreas e a glitazona diminui a resistência periférica à insulina. Caso ainda não surta efeito, haverá a necessidade de injetar insulina.

A prevenção é a principal ferramenta para se deter a progressão do diabetes e suas complicações. Isso porque altas taxas de glicose acumulada no sangue, com o passar do tempo, podem afetar os olhos, rins, nervos ou coração, diminuem a resposta a infecções e a cicatrização, além de dificultar a circulação sanguínea.

É fato amplamente conhecido que os indivíduos diabéticos apresentam maior propensão a certos tipos de infecções, particularmente nos pés, no trato urinário e pele (infecções por fungos e bactérias). As infecções nos pés estão associadas à substancial morbi-mortalidade e a um aumento dramático de hospitalizações e amputações.

Além de melhorar o transporte e captação de insulina os exercícios tanto aeróbicos quanto os resistidos, promovem um aumento do metabolismo basal conhecido como metabolismo de repouso, que é responsável por 60% a 70% do gasto energético total, contribuindo para a perda de peso, e diminuição do risco de desenvolver diabetes, hipertensão, e outras doenças (CIOLAC, 2004).

Num estudo de Claudia Forjaz (1998), pesquisadora com quem estudei na USP, foi observado que uma sessão de exercício físico em indivíduos obesos (DM2) eleva significativamente a resposta à insulina, aumentando o metabolismo não-oxidativo da glicose.

A pessoa com diabetes devem consultar seu médico antes de iniciar um programa de exercícios físicos. É preciso examinar o coração, pressão, olhos e pés da pessoa com diabetes para verificar se ela não tem problemas que possa tornar a prática de exercício físico insegura. A partir daí, a prática regular de exercício físico, em especial os aeróbicos, trás os seguintes benefício ao diabético:

* Estimula a produção de insulina.
* Aumenta a sensibilidade celular à insulina.
* Eleva a capacidade de captação de glicose pelos músculos.
* Diminui a gordura corporal, a qual está relacionada à diabetes tipo II.

O programa de exercícios físicos para diabéticos, é extremamente complexo, pluridimensional e multiforme, necessitando ser complementado e interpretado por uma série de exames clínicos e laboratoriais, que ajudam a equipe do programa (médico, nutricionista e professor de educação física) a concretizar e adaptar as exigências específicas de cada diabético as suas reais condições de saúde (Nunes, 1997).

Segundo VIVOLO (1994), os diabéticos bem controlados devem tomar cuidado com a probabilidade de ocorrência de uma hipoglicemia que podem ocorrer antes, durante, logo após ou no decorrer 24 horas seguintes ao término da atividade física, pois o nível de glicose continuará a cair.

Já nos maus controlados, a atividade física pode elevar o nível de glicose no sangue e também produzir ou elevar os corpos cetônicos de forma indesejável. Além disso, de acordo com Pollock e Wilmore (1993), indivíduos com complicações não devem ser admitidos em programas de exercício físico, por estarem submetidos a maior risco de evento cardíaco durante a prática dos exercícios.

Deve-se evitar a realização de exercícios nos horários de pico da ação da insulina, visando prevenir a Hipoglicemias. Um bom horário para exercitar-se é após as refeições, quando o indivíduo apresenta bastante disponibilidade de glicose. Nesse caso, a atividade física é utilizada como uma forma de reduzir essa elevação. No entanto exercícios de alta intensidade devem ser evitados nessas ocasiões.

Músculos que forem injetados de insulina devem ser poupados dos exercícios por pelo menos 1 hora, assim como deve-se reduzir a dosagem em 30-35% de insulina de ação intermediária no dia de treino.

Segundo o American College of Sports Medicine (ACMS), o indivíduo diabético deve se exercitar de 5 a 7 dias por semana, com a duração entre 30 - 40 minutos e a intensidade de 60 à 75 da Fc máx ou 50 à 60% do VO2máx. A atividade de predominância aeróbia.

 Exercícios de intensidade elevada ou longa duração devem ser evitados (acima de 60 minutos), como também em temperaturas elevadas.



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