Efeito Sanfona

Muita gente que começa a emagrecer, acaba por desistir antes do objetivo e engorda tudo de novo. Daí começa um novo ciclo de engorda e emagrece. Já tive alunos que passaram por isso e, certamente, você é ou conhece alguém assim. Como evitar o efeito sanfona?

Tudo começa quando você decide emagrecer. Faz tudo certinho: dieta e exercícios. Mas em algum momento, algo dá errado. Isso acontece quando você faz uma dieta radical demais, tirando muitas calorias de uma vez ou quando corta algum alimento predileto, como o chocolate, por exemplo. Também pode acontecer quando exagera na atividade física e, depois de anos sem treinar, decide se matricular na academia e gastar 4 horas diárias de musculação, spinning e localizada num só dia.

O resultado desse exagero é o desestímulo, o overtraining, o cansaço e, por fim, a desistência da academia. E isso leva a engordar tudo de novo, ou ainda mais do que quando começou. Pois entram as guloseimas de compensação, a quantidade excessiva de auto-indulgência, a gula da depressão pelo fracasso do planejado.

Um personal trainer poderia ter te ajudado nisso, mas na falta dele, algumas orientações de um bom professor de academia também evitariam o abandono da academia. Ele poderia ter feito um plano de treino mais adequado e com cargas que aumentassem progressivamente, a medida que você se acostumasse com as atividades físicas escolhidas. Além disso, um nutricionista poderia ter orientado a fazer uma dieta mais equilibrada com seu estilo de vida.

Durante uma dieta radical, com a quantidade de leptina reduzida e a de grelina aumentada, o indivíduo está mais propenso a cair na tentação da gula. Esses dois hormônios atuam na regulação do metabolismo e suas alterações também ocasionam uma redução do gasto de calorias do organismo, favorecendo o efeito sanfona.

Além disso, o corpo humano está programado para nos defender da fome. Quando perdemos peso o organismo “pensa” que vamos passar longo período de fome, na hibernação invernal da miséria e desnutrição. Eis então que ele manda hormônios atuarem para dar mais fome e vontade de açúcar, a fim de acumular gordura que tem diminuído no estoque. Dessa forma, a vontade de sobremesa aumenta e a massa gorda na barriga também.

Alguns estudos mostram que manter o peso em excesso é até melhor do que ter efeito sanfona, como um publicado em 2007 no "American Journal of Epidemiology" que relacionou os riscos de câncer renal ao efeito sanfona em mulheres na pós-menopausa. Revelou que a adiposidade abdominal é um fator de risco para a incidência do câncer nos rins. Tanto os obesos como os que perderam peso e os que recuperaram tiveram aumento da incidência de câncer renal, mas aqueles que tiveram efeito sanfona tiveram maior risco.

O efeito sanfona tem sido estudado relacionado ao risco de hipertensão e de pré-eclâmpsia (hipertensão grave na gestação), bem como de alterações de lípides circulantes ou mesmo de alterações do humor, como ansiedade e depressão.

O segredo para evitar esse efeito é encarar a ginástica e a dieta equilibrada como um hábito cotidiano, não invasivo nem opressivo. A vantagem da atividade física é que ela não só queima as calorias necessárias para fechar a operação matemática do dia como tem o efeito de aumentar o metabolismo de repouso até o dia seguinte - quer dizer, ainda que a pessoa faça exercícios em dias alternados, ela ganha um bônus de calorias para consumir no dia sem ginástica.

E descansar também é bom, pois a ciência já sabe que noites mal dormidas levam a um aumento na produção de grelina, o hormônio do apetite, e à redução na síntese de leptina, responsável pela saciedade. Já o stress aumenta a liberação de cortisol, hormônio que contribui para o acúmulo de gordura visceral.

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