Excesso de suplementos

Me preocupa a necessidade de alguns alunos em consumir algum tipo de suplemento, mesmo não necessitando. Parece até que academia sem suplementos não funciona. Inverdade! Precisamos entender quem precisa e o que precisa ser suplementado, a fim de evitar exageros ou desperdícios.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostrou que 62% dos frequentadores de academias na capital paulista entre 15 e 25 anos consomem algum tipo de suplemento alimentar. Mais de 80% deles compram e ingerem os produtos sem recomendação médica ou nutricional.

Os mais consumidos são as proteínas e os isotônicos. Dentre as proteínas, estão o Whey protein e o BCAA.


O whey é a proteína de soro do leite, separada no processo de transformação do leite em queijo. O processo de obtenção do Whey protein é muito caro e, até recentemente, proibido para nada que não fosse de finalidade de pesquisa. Porém, a tecnologia de filtragem moderna evoluiu drasticamente na ultima década e permitiu o surgimento de suplementos à base de Whey de nova geração, com isolados e hidrolizados de proteínas muito concentrados. É conhecida como proteína anabólica, uma vez que é a proteína que mais aumenta a síntese protéica.

No entanto, nem sempre o aluno de academia precisa consumir o whey.  A menos que seja um atleta de elite, que treine pesado para alguma competição, o jovem que malha quatro vezes por semana, de uma a duas horas, em mais de 90% dos casos não precisa tomar esse suplemento. Basta uma dieta equilibrada. Além disso, o corpo não consegue estocar proteína e o excesso é transformado em gordura.

Existem pouquíssimas evidências de que uma ingestão protéica acima de 2 g/kg promova o crescimento muscular. O uso abusivo do whey ou de outras fontes proteicas, por exemplo de 2,4 g/kg de peso por dia já é capaz de induzir a queima do excesso de aminoácidos (TARNOPLSKY,1992), em que níveis elevados de cetose, acidez e amônia podem levar, a longo prazo, a sobrecarga renal, desidratação e problemas cardiovasculares (POORTMANS, 2000).

Os isotônicos são tão comuns que as pessoas não os consideram como um suplemento. O Brasil é o terceiro consumidor mundial dessas "bebidas esportivas", compostas de água, algum tipo de açúcar e sódio, uma mistura que favorece a absorção de líquidos e não traz riscos à saúde. Porém são usadas desnecessariamente. Para até uma hora de exercício, moderado ou intenso, não é necessário nenhum tipo de hidratação que não seja só água para recompor as perdas obtidas durante as atividades físicas. Os isotônicos seriam indicados para exercícios muitos longos e de grande intensidade.

Mas o que mais preocupa tem a ver com a qualidade do que é consumido, pois há fortes indícios de que nem todos os produtos disponíveis são idôneos e têm a sua composição declarada corretamente no rótulo da embalagem. Isso tem prejudicado ate mesmo atletas, que são pegos em testes de antidopping sem saber o que haviam consumido em suplementação inadequada.

No Brasil existe a regulamentação da Anvisa e os produtos para serem vendidos deveriam ter o registro no Ministério da Saúde. Entretanto, é possível encontrar esses produtos nas prateleiras devido a falha de fiscalização e a importação informal dos produtos. Por exemplo: amigos que viajam e trazem para venda indiscriminada.

O perigo da suplementação errada pode estar nos produtos omitidos do rótulo, como é o caso da efedrina (que no Brasil esta proibida), ou na superdosagem, que causam distúrbios gastro intestinais ou modificações enzimáticas de celulas hepáticas e renais, já relatados por exemplo no consumo excessivo de creatina.

JUHN e TARNOPOLSKY (1998) mencionaram em seus estudos que a suplementação de creatina não deveria ser uma prática comum entre as pessoas que tem alguma propensão a desenvolver doenças renais e aquelas que já possuem algum tipo de disfunção renal.

Megadoses de alguns minerais criam desequilíbrios em outros, sobretudo na absorção do cobre, e seu uso prolongado pode gerar problemas cardiovasculares (CLARKSON, 2002). O mesmo ocorre na hipervitaminose, que já descrevi num post aqui no blog. 

Portanto, cuidado na suplementação e siga orientação de quem entende. Procure um médico ou nutricionista.

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