Dismorfia muscular

Fui procurado por um aluno que se diz gordo e pretende emagrecer e ganhar musculos para aumentar a definição muscular. No entanto, ele tem 1,88m de altura e pesa 80 kgs. Qualquer pessoa sensata que o vê percebe que ele não esta gordo. Pode até haver um acumulo de gordura, mas bem diferente de sua autopercepção.

A imagem corporal é definida como uma construção psicológica complexa, que se refere a uma representação mental de um esquema corporal perceptivo, assim como as emoções, pensamentos e condutas associados (AYENSA, 2002). Dessa forma, imaginamos ser o que não somos, mas sim o que queríamos ser. Além disso, os outros nos percebem como somos, e não como queríamos que fossemos. Dessa discrepância toda, surgem patologias que vem sendo estudadas nas academias.

Autores como Valencia (2002), Ayensa (2005), Arraiais e Souza (2002) referem-se à Vigorexia, ou dismorfia muscular, como uma alteração da imagem que o indivíduo tem de si próprio e a consequente rejeição que ele sente em relação ao seu próprio corpo e desejo de alcançar padrões estéticos de beleza.

Devido ao crescimento do número de academias, resultante do maior número de praticantes de musculação, ao abuso de esteroides, aos distúrbios da imagem corporal e ao comportamento alimentar dos atletas, tem crescido o interesse por esta temática em diversas pesquisas (FRUTUOSO, 2004; SILVA et al., 2007; MACHADO; SCHINEIDER, 2006).

Nos EUA, em um estudo envolvendo 108 fisiculturistas, dos quais alguns utilizavam esteroides anabolizantes e outros não, foi identificado um fenômeno denominado “anorexia nervosa reversa” ou “bigorexia”. Constatou-se que 8,3% deles se achavam muito fracos e pequenos, mas que na verdade estavam extremamente fortes e musculosos. Os outros sujeitos da amostra relataram o uso de esteroides anabolizantes e dois apresentaram história anterior de anorexia nervosa reversa (POPE; KATZ; HUDSON, 1993).

Em outro estudo que envolveu 548 homens, 43% (quase a metade) se manifestaram insatisfeitos com sua aparência geral, 63% estavam insatisfeitos com o abdômen ou o peso (52%), 55% estavam insatisfeitos com seu tônus muscular e 38% com o tórax. Além de estarem insatisfeitos ou preocupados com sua imagem corporal, estes homens podem apresentar uma imagem corporal distorcida, percebendo-se diferentes, geralmente piores do que realmente são, podendo apresentar menor autoestima e mais tendências depressivas do que os homens satisfeitos com seus corpos.




Essas pesquisas não estão longe do que vejo nas academias onde dou aula de personal training. O limite do crescimento muscular é muitas vezes ultrapassado. Não basta crescer, tem que crescer muito senão o aluno não percebe esse aumento. Essa distorção aliada com o uso de esteroides, faz com que se reproduzam seres estranhos nas academias, verdadeiros "Chester's" (peito hipertrofiado e desproporcional).

Aliás, a desproporção é um indicador de doença de percepção. Não pode ser aceito que o homem treine muito a parte superior e esqueça de treinar as pernas. O mesmo se dá com as mulheres que preferem treinas coxas e esquecem dos braços. Sem duvida que o resultado é a desproporção visual e que pode ter consequencias inclusive na biomecanica do aparelho locomotor.

Alem disso, Rosenberg (2004) descreve alguns comportamentos característicos que de forma isolada não indicam que a pessoa tenha dismorfia muscular, mas quando vários deles estão presentes é sugerida a existência do problema. Entre estes comportamentos podem-se destacar: a maneira de se vestir na tentativa de parecer forte, exercitar-se mesmo com lesões, a utilização de suplementos ou drogas, observar-se repetidas vezes na imagem refletida no espelho.

Será que você apresenta algum desses sintomas?

1 comentários:

Carol Santiago disse...

Medo :|