Comida funcional funciona mesmo?

São alimentos funcionais aqueles que, além de nutrir, trazem algum benefício adicional para a saúde. Esse mercado aumentou 82% entre 2002 e 2009, saltando de R$ 13,6 bi para R$24,8 bilhões, sendo estimado crescimento até 2014 de 39%.

Para chegarem ao mercado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária exige que o fabricante apresente provas científicas das propriedades funcionais alegadas na embalagem. Para os nutricionistas, no entanto, praticamente todos os alimentos in natura desempenham alguma função no organismo.

A Anvisa reconhece apenas 17 substancias funcionais, dentre elas: Omega 3, licopeno, luteína, zeaxantina, inulina, lactulose, polidextrose, etc. A lista com as propriedades de cada um pode ser encontrada em anvisa.gov.br/alimentos/comissoes/tecno_lista_alega.htm

Também fazem parte do mercado de alimentos e bebidas ligados à saúde e bem-estar os produtos diet e light, os fortificados com vitaminas e minerais, os orgânicos, os específicos para pessoas com intolerância alimentar e aqueles considerados "naturalmente saudáveis".

As promessas desses alimentos são muitas: controle de peso, colesterol, funcionamento do intestino, bronzeado duradouro, fortalecimento do sistema imunológico, prevenção da osteoporose, envelhecimento e, quiçá, o câncer.

Mas será isso verdade?

O Omega 3 e 6 tem seus benefícios comprovados pela ciência, no entanto os demais ainda carecem de estudos conclusivos. Luciana Rabello, da sociedade de dermatologia, concorda e defende o consumo dos chamados nutracêuticos (vitaminas, antioxidantes e suplementos como o de colágeno), mas apenas sob orientação médica.

Há ainda os "enriquecidos", os alimentos com acrescimo de ferro, vitaminas, quer também induzem o consumidor ao erro, diz o nutricionista Daniel Badoni, da Unifesp. "Muitos acabam achando que o consumo desses produtos os senta de comer frutas e verduras. Mas estudos tem mostrado que a absorção dos nutrientes dos enriquecidos não é igual ao alimento in natura". Isso além de não anular o consumo dos ingredientes associados a esses produtos, tais como gorduras, açúcares e aditivos químicos.

Quanto aos probióticos (suplementos dietéticos contendo bactérias e leveduras potencialmente benéficas à saúde), não há evidência publicada que os suplementos sejam capazes de substituir a flora natural do corpo quando essa for aniquilada devido a causas variadas. Porém, há evidência que os probióticos podem auxiliar o corpo nas mesmas funções da flora natural, ao mesmo tempo em que permite que essa se recupere. Entretanto, se as condições que causaram o aniquilamento da flora natural persistirem, os benefícios dos suplementos probióticos terá vida curta.

Você tem ideia de que:

- o pão com omega 3 deveria ser consumido em 20 fatias para atingir a quantidade recomendada.
- alimentação rica em fibras e alimentos in natura dispensam a ingestão de probióticos
- não há estudos que comprovem que a suplementação de luteína e licopeno previnam o envelhecimento

Seja como for, apesar de qualquer benefício (comprovado ou não em estudos), um único alimento não é suficiente para prevenir doenças. É preciso um conjunto de hábitos saudáveis, que vão desde uma alimentação equilibrada e prática regular de atividade física até o cuidado com a saúde mental, para evitar problemas como estresse e depressão.

A receita para uma boa alimentação inclui variedade de alimentos frescos, grãos integrais e frutas, verduras e legumes para absorção de vitaminas e sais minerais, além do balanceamento ideal de proteínas, carboidratos e gorduras.

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