HIV e atividade física


A AIDS é uma doença caracterizada por uma disfunção grave do sistema imunológico do indivíduo infectado pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). Mais de 14 mil pessoas diariamente são infectadas pelo HIV no Mundo, cerca de 20 milhões já faleceram e aproximadamente 40 milhões estão vivendo com AIDS.

A infecção pelo HIV tornou-se uma pandemia mundial e juntamente com ela surgiram modificações culturais e comportamentais, além de muitas duvidas com relação às atividades físicas para portadores do vírus.

No Brasil, a epidemia vem apresentando tendência de heterossexualização, feminilização, pauperização e a interiorização. Segundo o ministério da saúde o crescimento da epidemia torna-se mais diferenciado entre homens e mulheres no período de 2000 a 2009, observou-se um porcentual de 10,2% entre homens em quanto nas mulheres esse acréscimo foi de 75,3%.  O total de casos para o período de 1980 a 2008 chegam a 506.499 notificados no país.

Após o diagnostico de HIV/AIDS, é comum que o paciente sofra uma sobrecarga emocional, além de mudanças corporais associadas aos medicamentos, tais como a hipercortisolemia, hipogonadimo e lipodistrofia. A lipodistrofia, por exemplo, pode ser controlada no inicio. Mas, após seu desenvolvimento, fica mais difícil reverter o quadro.

A perda de massa muscular (Sarcopenia) é um problema comum associado com a infecção por HIV. Roubenoff et al (1999) afirma que mesmo não ocorrendo a perda de peso, pode ocorrer redução da massa magra se houver aumento na quantidade de água ou gordura extra celular.

A revisão de literatura mostrou que a atividade física deve ser prescrita levando-se em consideração o estagio da doença e o estado de saúde do individuo.  Santos e Terry (2006) relatam em seus trabalhos que o treinamento resistido (musculação) pode contribuir para diminuição do quadro de atrofia muscular do paciente. Mas não pode ser esclarecido se a alta intensidade prejudica o sistema imunológico em treinamento de força, pois não existem estudos que confirmam essa hipótese.

O Ministério da Saúde (1997) recomenda que o individuo soro positivo deva fazer exercício físico de intensidade moderada.  Já Pimentel (2007) relata que o exercício físico pode propiciar diversos benefícios como:

  • a melhora o sistema cardiovascular, o funcionamento do coração e dos pulmões; 
  • melhora do sistema digestivo, resultando em maior aproveitamento dos alimentos e das medicações 
  • melhora a depressão, a ansiedade;   
  • proporciona músculos e ossos maiores e mais fortes; 
  • estimulam a liberação de endorfina, substancia química responsável pela sensação de bem estar.  
  • diminui os níveis de colesterol e triglicérides no sangue; 
  • diminui a gordura localizada.
Santos afirma ainda em seus estudos que os indivíduos portadores de qualquer patologia e fisicamente ativos apresentam menor deterioração da aptidão física. Para este autor, a atividade física faz renascer, proporciona alegria, estimula a vontade de se recuperar mais rápido, faz descobrir novamente a vontade de viver e prepara o paciente para nova vida. Esse bem-estar associado a alta estima e amor próprio são fundamentais para a sobrevida de um enfermo.

Ao adotarmos um estilo de vida mais ativo, conforme Silva (1994), certamente pode-se reduzir de maneira estratégica o risco de doenças, entre as quais destacamos: depressão, estresse, obesidade, osteoporose
etc. No entanto, segundo Wilmore e Costil (2001), “os benefícios de um programa de exercícios adequados são rapidamente perdidos quando ele é interrompido”.

Concluindo pode-se dizer que os exercícios irão melhorar a qualidade de vida, possibilitando uma maior longevidade. Entretanto, deve-se estar atento quanto ao volume ou dose ideal de exercícios para cada individuo, de forma que eles tragam efeitos benéficos e não sejam prejudiciais a um organismo já debilitado.

O HIV pode ser transmitido durante a prática esportiva?

Não existem evidências de risco de transmissão do HIV quando pessoas infectadas praticam esportes, sem feridas ou lesões cutâneas que sangram.  Nos esportes onde os atletas podem se cortar, como o boxe ou a luta livre, ou em outros esportes de contato como o futebol, basquetebol e beisebol, existe o risco de transmissão do HIV quando as membranas das mucosas de um atleta saudável entram em contato com o sangue de um atleta infectado.

O exercício pode retardar o desenvolvimento da Aids numa pessoa HIV positivo?

Não, mas o exercício regular ainda é recomendado porque ele pode melhorar a qualidade de vida e a cooperação psicológica dos indivíduos infectados. Durante a evolução da AIDS, os pacientes frequentemente perdem quantidades substanciais de peso corporal e de massa muscular. Esse quadro pode ser evitado pela pratica de atividade física.

6 comentários:

Rick disse...

Ola. Gostaria muito de uma orientação. Sou soropositivo há3 anos e há uns 10 meses tomo a medicação por precaução. Felizmente não tenho diarreia, nem perda de apetite…pelo contrario aumentou… Meu problema é que: sempre malhei, aulas aerobicas e musculação. Por coincidencia limitei muito minhas atividades fisicas por conta da faculdade. Agora que estou retomando notei e que meus musculos não respondem mais tao rapidamente aos estimulos como antes. Posso fazer varias series para braços que elee não crescem… ao final parece que nao fiz nada. E tb a gordura abdominal aumentou e muito. Pode ser efeito da lipodstrofia. Gostaria e muito de saber como reverter isso. Sempre cuidei e muito do meu corpo e agora to perdendo todas minhas roupas. Há 2 semanas estou correndo todos os dias…acredito que possa me ajudar a diminuir a gordura abdominal e semana que vem retomo a natação. E para recuper a massa magra, nos braços e pernas? Poderia tomar Whey a base de proteina ou seria muito arriscado tomar isso agora? Talvez com risco de que acabe aumentando a gordura abdominal e nas costas? Por favor, gostaria de uma orientação, pois na academia onde malho não posso nem sonhar em comentar isso com os orientadores….cidade do interior - São Carlos - é complicado. Muito obrigado.

Anônimo disse...

rick..
tenho hiv a nove anos, e perguntei ao meu infectologista se podia tomar whey e ele disse que não, e nem a creatina, na hr não perguntei por que, mas estou passando oque ele me falou.. e outra dica, tire todas as suas dúvidas com o seu infectologista, eles são nossos melhores amigos, pois só eles podem nos dar as melhores respostas...
abraço e espero ter ajudado..
luiza

Anônimo disse...

Sou soropositiva há 6 anos,e agora começou a aparecer a perda muscular nos braços e pernas.Preciso de orientação!!! Tenho 57 anos!!!! O que seria melhor para fazer?

Sandro Gaspahrini disse...

Conforme a Luiza disse acima, somente um infectologista pode orientar os soropositivos na melhor conduta física, nutricional e medicamentosa. Fale com seu médico. E obrigado pela participação aqui no blog :-)

JOÃO HENRIQUE disse...

Sou soro positivo há 22 anos, estou fazendo academia com acompanhamento de personal, e não estou vendo muito resultado, tenho 49 anos. Tenho uma fome enorme, estou tentando fazer dieta mais não consigo me alimentar de 3 em 3 horas o que devo fazer?

Anônimo disse...

É essenciqual que se alimente corretamente, eu já cheguei a comer de 2 em 2 até ficar como eu queria e depois mudei pra 3 em 3 ... saia de casa com 8 marmitas rs