A temida condromalacia

Todos os dias me aparecem alunos pedindo aula de personal visando curar ou minimizar os efeitos da condromalacia. Alguns já chegam relatando o nível em que se encontram... com números de gravidade e sobrancelhas arregaladas em tom dramático. Mas será tão grave assim?

A famosa, temida e cada vez mais comum condromalacia é uma patologia crônica degenerativa da patela e dos côndilos femorais correspondentes, que produz desconforto e dor no joelho. Há ainda um outro termo genérico, que se refere aos estágios iniciais dessa patologia: síndrome da dor patelo-femoral. Nesse estágio, acredita-se que ainda seja possível a reversão do quadro, enquanto que a condromalacia já é irreversível.

Os principais sintomas dessa patologia são:

1.DOR na região anterior do joelho (atrás da patela) ao subir e descer escadas ou mesmo ladeiras, aos exercícios físicos, ao levantar de uma cadeira, ao agachar-se e até mesmo ao manter o joelho flexionado por períodos prolongados;

2.CREPITAÇÃO E ESTALIDOS atrás da patela ao flexionar e estender o joelho, por vezes audíveis;

3.EDEMA E DERRAME ARTICULAR que são ocasionados pelo acúmulo excessivo de líquido sinovial formado no processo inflamatório. É o aparente inchaço do joelho, quando você sente uma bola ou mesmo visualiza teu joelho 3 vezes maios que o normal.

Quanto aos níveis de gravidade, diagnosticados pelos médicos e que os alunos adoram repetir em tom dramático, correspondem:

 I - amolecimento da cartilagem e edemas
II - fragmentação de cartilagem ou fissuras com diâmetro < 1,3cm diâmetro
III - fragmentação ou fissuras com diâmetro > 1,3cm
IV - erosão ou perda completa da cartilagem articular, com exposição do osso subcondral

Mas de fato essa á uma patologia cada vez mais comum. Diria que nos dias de hoje, com tantos sedentários andando pelas ruas, que tomam elevadores e escadas rolantes com facilidade, essa dor no joelho é quase regra. Tenho muitos alunos que sofrem de condromalacia, de todos os níveis de gravidade.

As mulheres são maioria nesses casos, isso porque têm maior predisposição biomecânica para isso.

Fácil entender se visualizarmos que há uma espécie de trilho por onde o osso deve correr enquanto realiza os movimentos de flexão e extensão. Se a patela se desloca para os lados, geralmente para fora, o atrito é aumentado. Essa descompensação pode ocorrer por diferença de forças entre os músculos internos e externos do joelho ou mesmo devido a um deslocamento de eixo do peso corporal devido a um quadril mais largo.

Obesos portanto podem sofrer mais dessa patologia.

Outras podem ser as causas desse problema de joelho relacionadas a fatores anatômicos, histológicos e fisiológicos, que resultam no enfraquecimento e amolecimento da cartilagem envolvida.

O fator mais comum é o traumatismo, seja por lesão oriunda da fricção crônica entre a patela e o sulco patelar do fêmur em razão do uso inadequado de aparelhos de ginástica, exercícios em step, agachamentos ou leg press, bem como pela prática inadequada de esportes, com força excessiva aplicada na patela.

A genética tem certa culpa, mas o desgaste é mais decisivo. Treinar sem condição muscular adequada e a falta de alongamento na frente da coxa são fatores principais.

As anomalias biomecânicas, como a super pronação dos pés, também podem resultar em incongruência entre a direção em que a patela é puxada pelo músculo do quadríceps e o formato do sulco patelo-femural por onde ela se desloca, causando o mesmo "destrilhamento" que expliquei anteriormente.

No entanto, a partir do momento que decidem se exercitar e fortalecer a musculatura da perna, em especial da coxa, as dores e restrições se minimizam ou acabam.


Para o tratamento é preciso a orientação médica, que indicará as restrições de movimento necessárias, os medicamentos e a fisioterapia. Mas quando me procuram, significa que já estão liberados para a atividade física controlada por quem entende do assunto: um bom personal trainer. 

Em alguns casos ainda será preciso a restrição de movimento em contrações isométricas. Noutros, há possibilidade de treino com movimento e amplitude articular reduzidas e controladas. Já nos casos mais brandos ou evoluídos, basta um controle adequado de sobrecargas e equivalência de forças dos músculos internos e externos da coxa.

Um bom personal trainer saberá quais exercícios da academia podem ser feitos e quais devem ser eliminados do teu treino. Uma dica é fazer os exercícios de cadeia cinética fechada (como o agachamento e o leg press) num ângulo de 0º a 50º, ou seja, sem agachar tudo, e os de cadeia aberta (cadeira extensora) entre 50º a 90º, sem estender tudo. Mas tudo depende do aluno e da fase em que se encontra na recuperação traumática.


Algumas dicas:
  • Excluir esportes de alto impacto ou atividades suspeitas de causarem a lesão.
  • Evitar subir e descer escadas.
  • Natação é um bom exercício para manter o condicionamento físico sem afetar o joelho.
  • Fortalecer os músculos fracos e equilibrar suas forças internas e externas, anteriores e posteriores.
  • Alongar quadríceps, banda iliotibial (lateral), posterior da coxa, tendões e panturrilha regularmente.
  • Colocar gelo no joelho após os exercícios.






5 comentários:

Denise disse...

Olá!! Obrigada pelas informações. Tenho condromalacia patelar e me sinto melhor praticando meu treino, porém fico com medo de fazer agachamento, pois muitas pessoas falam que pode piorar o quadro só que acho que é o exercício que mais trabalha gluteo e mmii. Naõ sinto nenhuma dor, apenas as criptações me encomodam e as vezes tenho uma leve queimação no joelho. Estou usando Condroflex a pedido do ortopedista egostaria de saber qual agachamento é o mais indicado afundo, terra ou o normal?

luciano disse...

Pratico fisiculturismo há 20 anos e hoje aos as 42 anos ( 1,70 80 kilos) estou com dúvidas em função do resultado de uma RM:

• Patela centrada com o joelho estendido
• Estruturas ósseas de morfologia e sinais de RM conservados
• Superficies condrais femorotibiais sem alterações evidentes
• Não há aumento significativo do líquido intra articular
• Meniscos medial e lateral com morfologia e contornos normais sem evidencias de roturas
• Ligamentos cruzados anterior e posterior com orientação espessura e sinais conservados
• Ligamentos do canto póstero lateral sem alterações evidentes
• Tendão do quadríceps e patelar de espessura e sinais conservados
• Fossa poplítea sem formações císticas
• Planos musculares sem sinais de alterações
• Fissuras e erosões comprometendo as camadas superficiais e profunda da cartilagem de revestimento da faceta medial, lateral e vértice da patela, sem edema ósseo subcondral, compatível com condropatia.


Em função disso e do meu histórico no esporte decidi realizar um protocolo de treinamento voltado apenas aos exercícios básicos e crescimento indireto para preservar, ou melhor, evitar o sobre treino. Fato esse, acreditar ser o motivos destas patalogias.
Minha rotina agora de treino se restringe a:
A
• Supino Superior (controlado e estimulando peitoral, ombro e tríceps)
• Puxador Frontal (controlado e estimulando costas e biceps)
• Agachamento Profundo (A maior ativação dos músculos da coxa acontece no agachamento (KVIST & GILLQUIST, 2001). O que realmente lesiona são os excessos cometidos, execução incorreta, desvio ou problemas pré-existentes e equipamentos inadequados ou ultrapassados. No mais, o agachamento e o leg-press são dos melhores exercícios de musculação prescritos até para fins terapêuticos.

B
• Supino Superior (controlado e estimulando peitoral, ombro e tríceps)
• Levantamento Terra (controlado e estimulando costas, bíceps, femoral e demais músculos de forma geral)
• Gêmeos

Alongamentos todos os dias


Minha dúvida
Não desejo fazer aquelas maratonas de treinos para pernas e demais músculos para evitar trabalho desnecessário. Vislumbro fazer pouco, porém correto e evitar o temido over..
Com relação a esses problemas mencionados no joelho estou no caminho certo, posso continuar dessa forma?

luciano disse...

Pratico fisiculturismo há 20 anos e hoje aos as 42 anos ( 1,70 80 kilos) estou com dúvidas em função do resultado de uma RM:

• Patela centrada com o joelho estendido
• Estruturas ósseas de morfologia e sinais de RM conservados
• Superficies condrais femorotibiais sem alterações evidentes
• Não há aumento significativo do líquido intra articular
• Meniscos medial e lateral com morfologia e contornos normais sem evidencias de roturas
• Ligamentos cruzados anterior e posterior com orientação espessura e sinais conservados
• Ligamentos do canto póstero lateral sem alterações evidentes
• Tendão do quadríceps e patelar de espessura e sinais conservados
• Fossa poplítea sem formações císticas
• Planos musculares sem sinais de alterações
• Fissuras e erosões comprometendo as camadas superficiais e profunda da cartilagem de revestimento da faceta medial, lateral e vértice da patela, sem edema ósseo subcondral, compatível com condropatia.


Em função disso e do meu histórico no esporte decidi realizar um protocolo de treinamento voltado apenas aos exercícios básicos e crescimento indireto para preservar, ou melhor, evitar o sobre treino. Fato esse, acreditar ser o motivos destas patalogias.
Minha rotina agora de treino se restringe a:
A
• Supino Superior (controlado e estimulando peitoral, ombro e tríceps)
• Puxador Frontal (controlado e estimulando costas e biceps)
• Agachamento Profundo (A maior ativação dos músculos da coxa acontece no agachamento (KVIST & GILLQUIST, 2001). O que realmente lesiona são os excessos cometidos, execução incorreta, desvio ou problemas pré-existentes e equipamentos inadequados ou ultrapassados. No mais, o agachamento e o leg-press são dos melhores exercícios de musculação prescritos até para fins terapêuticos.

B
• Supino Superior (controlado e estimulando peitoral, ombro e tríceps)
• Levantamento Terra (controlado e estimulando costas, bíceps, femoral e demais músculos de forma geral)
• Gêmeos

Alongamentos todos os dias


Minha dúvida
Não desejo fazer aquelas maratonas de treinos para pernas e demais músculos para evitar trabalho desnecessário. Vislumbro fazer pouco, porém correto e evitar o temido over..
Com relação a esses problemas mencionados no joelho estou no caminho certo, posso continuar dessa forma?

ivana. disse...

Teu espaço é maravilhoso, PA RA BÉNS ! Meu carinho.

luciana schwab disse...

Boa noite. Seu blog me foi muito útil. Sou praticante de atividades física a mais de 30 anos!!! mas tenho uma genética com disposição a degenerações articulares. Atualmente, devido a um neuroma de Morton e facite plantar, faço hidroginástica. Agora tenho um problema no joelho esquerdo, cujo laudo transcrevo:

RESSONÂNCIA MAGNÉTICA DO JOELHO ESQUERD

Redução do espaço articular femorotibial, sobretudo do compartimento
medial, associado a afilamento irregular do revestimento cartilaginoso
dos côndilos femorais e incipiente osteófitos marginais, por gonatrose
leve.Também há adelgaçamento difuso da cartilagem patelar, observando-se
fissura condral profunda, junto ao vértice por condropatia.
Acentuado derrame articular com sinais de sinovite.
Menisco medial extruso, observando-se rotura radial cornual posterior,
junto ao ligamento raiz.
Menisco lateral com forma preservada, sem sinais de ruptura.
Ligamentos cruzados e colaterais com trajeto, espessura e sinal
habituais.
Tendão do quadríceps e ligamento patelar sem alterações.
Lesão por estiramento grau I do ventre muscular do poplíteo. Lâmina
líquida no recesso semimembranoso-gastrocnêmio medial.

Faço fisioterapia, hidroginásitica e tomo cartigen C (comprei também o triflex fast action.

solicito sua opinião!