Cafeína e queima de gordura

Anfetaminas, efedrina e cafeína são as substancias utilizadas para promover a queima de gordura nos chamados termogênicos ou fatburners do mercado de suplementos. Muitos alunos me pedem aditivos para ajudar a queimar mais calorias, em especial agora que preparam o corpo para o carnaval. Resolvi pesquisar mais sobre o assunto...

CAFEÍNA

Apesar de a cafeína ser uma droga considerada como doping pelo COI quando suas concentrações urinárias resultam em valores acima de 12mg/L, a ANVISA recentemente a liberou como suplemento alimentar no Brasil.

Tem sido usada para emagrecimento durante atividades físicas, sendo reconhecida como um poderoso termogênico (acelera o metabolismo, pois promove a elevação de cerca de 1 grau na temperatura corporal).

Teoricamente a cafeína pode melhorar o desempenho físico através desse efeito termogênico e/ou oxidação lipídica (queima de gordura). É também considerada um poupador de glicogênio durante a atividade física, por elevar as taxas de ácidos graxos livres no sangue, estimula a contração muscular, melhora o desempenho em atividades de alta intensidade e curta duração como provas de resistência (maratona).


A cafeína é um composto químico classificado como alcalóide, encontrada em certas plantas e usada em bebidas (café, chá preto, chá mate, bebidas a base de cola, guaraná e chocolate) como estimulante. É portanto uma droga psicotrópica (que altera o funcionamento do sistema nervoso).

Age como estimulante pois bloqueia a adenosina (importante ao sono e descanso) e assim aumenta a liberação de adrenalina (epinefrina). Esse hormônio, por sua vez, promove:
  • abertura de tubos respiratórios (é por isso que algumas pessoas que sofrem ataques graves de asma tomam injeção de epinefrina); 
  • aceleração do ritmo cardíaco e aumento de pressão arterial
  • aumento de volume sanguíneo nos músculos
  • liberação de açúcar na corrente sanguínea
Isto explica o motivo de, depois de tomar uma xícara grande de café, suas mãos esfriarem, seus músculos se enrijecerem, você fica agitado e pode sentir as batidas de seu coração aumentarem. Uma xícara de café pode conter até 200mg de cafeína.

A cafeína também aumenta os níveis de dopamina, da mesma forma que as anfetaminas (a heroína e a cocaína também manipulam os níveis de dopamina ao diminuir a taxa de reabsorção dessa substância). A dopamina é um neurotransmissor que ativa o centro de prazer em certas partes do cérebro.

Resumindo a ação da cafeína: 
  1. bloqueia a recepção da adenosina e então você se sente alerta; 
  2. ela provoca injeção de adrenalina no sistema para te dar força;
  3. e também manipula a produção de dopamina para que você se sinta bem.
A maioria dos estudos sobre cafeína demonstram um aumento da performance nos exercícios de endurance associado ao seu consumo (~5mg/kg).

Segundo SPRIET (1995), acredita-se que a cafeína gera um aumento na mobilização dos ácidos graxos livres dos tecidos e/ou nos estoques intramusculares, aumentando a oxidação da gordura muscular e reduzindo a oxidação de glicogênio muscular e de carboidratos.

Já Silveira, Alves e Denadai (2004), abordaram o efeito da lipólise induzida pela cafeína na performance e no metabolismo da glicose no exercício intermitente, concluindo que a cafeína pode contribuir durante o exercício em virtude da redução na utilização de glicose e no aumento do tempo de exaustão.

Com relação à alimentação pré-exercício, Weir et al. (1987) relataram que a alimentação pré-exercício rica em carboidratos anulou as respostas metabólicas à cafeína (6.5mg/kg) durante exercícios submáximos e prolongados.

Outra importante variável foi identificada por Tarnopolsky et al. (1989) ao demonstrarem que a habituação
à cafeína (200mg/dia) neutraliza suas respostas metabólicas, durante o exercício, eliminando, assim, seus efeitos ergogênicos.

O problema com a cafeína são os efeitos a longo prazo, em especial no sono.  O tempo de permanência da cafeína no seu corpo é de seis horas. Isso significa que, se você consumir um copo grande de café com 200 mg de cafeína às 15:00, às 21:00 cerca de 100 mg de cafeína ainda estarão em sua corrente sanguínea. Você pode cochilar, mas seu corpo provavelmente sentirá falta de um sono profundo restando mais tempo em estado de alerta e com o estresse e ansiedade aumentados.

Superdosagens de cafeína poder ter efeitos adversos como palpitações, insônia, ansiedade, tremores, instabilidade dos membros superiores, dores de cabeça, náuseas e irritabilidade. Sendo assim, a cafeína não é recomendada para quem tem problemas gástricos, hipertensos ou está sob efeito de ansiolíticos e anti-depressivos.

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