Adoçantes e excesso de sódio


Poucos percebem que para disfarçar a restrição de açúcar dos alimentos diets e lights, ou ainda como forma de conservante desses produtos, a industria aumenta 4 a 5 vezes o teor de sódio. Você sabe o que isso pode causar em teu organismo?

O sódio é necessário para que o corpo funcione corretamente, pois ajuda a manter o equilíbrio dos fluidos, auxilia na transmissão de impulsos nervosos e influencia na contração e relaxamento dos músculos. Em quantidades excessivas, o sódio não é totalmente eliminado pelos rins e faz com que o corpo retenha líquidos, aumentando seu volume. Isso ocasiona uma elevação na pressão arterial, que pode levar à falência congestiva do coração, cirrose e doença dos rins.

O sódio é um mineral que está presente naturalmente na maioria dos alimentos, mas o seu consumo excessivo acontece quando ingerimos sal exageradamente, já que essa é a fonte mais abundante de sódio.

Uma pesquisa realizada pelo departamento de nutrição da USP, em 2009, revelou que todas as classes sociais consomem quantidades superiores às recomendadas. Nas embalagens dos produtos só informam a quantidade de sódio, mas não a de sal.

Em excesso o sal pode causar aumento da pressão arterial e acidente vascular cerebral. E de acordo com a Sociedade Brasileira de Hipertensão, 30% da população sofre da doença que, na maioria das vezes, é causada pela ingestão involuntária de sal. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, as mulheres são mais vítimas da doença (25,5%) que os homens (20,7%).

Há uns anos atras houve grande polêmica quanto a Coca Zero e o excesso de sódio presente nos produtos dietéticos, que contêm mais de um tipo de adoçante como estratégia de se obter um sabor mais agradável.

O grande “vilão” dos adoçantes é o ciclamato de sódio, presente na Coca Zero e que foi proibido pelo FDA (Food and Drug Administration, órgão regulador de alimentos e remédios nos EUA), mas é aprovado no Brasil e em vários outros países. Algumas pesquisas não comprovaram o risco cancerígeno, mas os EUA até hoje mantêm a proibição do uso desse adoçante (para os críticos, isso é reflexo do “lobby do aspartame”).

A última avaliação feita internacionalmente para o ciclamato estabeleceu a IDA em 11 mg/kg. Isso significa que um adulto de 70 kg pode consumir até 770 mg do adoçante por dia, o que equivale a 3 litros ou 8 latas.

Como ressalta Deise Baptista, professora do departamento de nutrição da Universidade Federal do Paraná, é difícil consumir tanto refrigerante. O problema é que o produto nem sempre é a única fonte de ciclamato da alimentação. Uma pessoa pode só tomar a bebida no almoço e no jantar, mas acaba excedendo o limite porque toma vários cafés com adoçante durante o dia e ainda consome algumas gelatinas diet.

Cada 100 ml da Coca Zero brasileira, por exemplo, tem 27 mg de ciclamato de sódio, 15 mg de acesulfame de potássio e 12 mg de aspartame. No total são 49 mg de sódio na Zero enquanto que a normal tem 8 mg de sódio. Já a Coca Light Plus contém aspartame (24 mg) e acesulfame de potássio (13 mg).

Um acordo do Ministério da Saúde com a indústria alimentícia prevê a redução gradual de sódio em diversas categorias de alimentos no Brasil. A lista inicial contém 16 variedades, que incluem massas instantâneas, pães e bisnaguinhas.

Você consumidor deve estar atento aos rótulos e lembrar que o consumo máximo diário de sódio recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) deve ser de 2 g e a quantidade máxima de sal é de 5 g, o equivalente a uma tampa de caneta cheia. Prefira portanto os alimentos que contenham menos sódio.


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