Glutamina

Tenho recebido perguntas sobre a glutamina, alguns questionando a validade do uso, outros sobre a quantidade ideal. Então vamos conhecer melhor essa proteína.

Na verdade a glutamina é um aminoácido essencial produzido pelo próprio organismo na desaminação e transaminação de outros aminoácidos, especialmente os de cadeia ramificada (BCAAs).

Atua no crescimento e diferenciação celular e está envolvida tanto em funções anabólicas quanto catabólicas em diversos tecidos do corpo. Também participa da regulação do balanço ácido básico do organismo, auxiliando na excreção de ácido úrico pelos rins, evitando a acidose.

Após exercícios intensos e prolongados, a concentração plasmática de antioxidantes como a vitamina E, a vitamina C e o ácido úrico, tende a aumentar. E com o aumento do cortisol há estímulo tanto do efluxo de glutamina muscular, quanto da captação de glutamina pelo fígado (para equilíbrio do PH sanguineo), desidratando as células e quebrando o tecido muscular. Isso faz parte do processo chamado catabolismo, quando pode ocorrer redução de até 50% no nível de glutamina plasmática e ocasionando maior susceptibilidade a lesões, processos inflamatórios e a infecções do trato respiratório.

Devemos entender que a hipertrofia e qualquer outra adaptação positiva oriunda da pratica esportiva (aumento da massa muscular, melhora do sistema cardiovascular, redução da incidência de doenças e infecções e outras) são devidas, principalmente, às adaptações induzidas sobre os diversos sistemas corporais, incluindo o sistema antioxidante.

E a glutamina atua nesse sistema ao reduzir o catabolismo muscular pós treino, poupando o tecido muscular e permitindo a hipertrofia. Além disso, também estimula a síntese de hormônio do crescimento e é essencial para a síntese de GSH, que representa o principal antioxidante celular do organismo, além de reduzir a ação catabólica do cortisol.

Em períodos de restrição calórica, a suplementação com esse aminoácido é muito interessante para a manutenção da massa magra.

Num recente estudo a suplementação de glutamina de 20-30 g parece não apresentar efeitos nocivos em seres humanos adultos saudáveis e nenhum dano foi relatado em atletas que consumiram diariamente 28 g de glutamina durante 14 dias. Doses de até 0,65 g / kg de massa corporal de glutamina (em solução ou como uma suspensão) foram relatadas como toleradas pelos pacientes e não resultaram em níveis anormais de amônia do plasma.

No entanto, as razões sugeridas para tomar suplementos de glutamina (suporte para o sistema imunológico, aumento da síntese de glicogênio, efeito anti-catabólico) tem recebido pouco apoio de estudos científicos controlados em indivíduos saudáveis e bem nutridos. Além disso  a efetividade da suplementação com glutamina tem sido questionada devido ao fato de aproximadamente 50% deste aminoácido ser metabolizado por células da mucosa intestinal.

Uma alternativa para conseguir transpor a barreira das células intestinais tem sido a utilização de dipeptídeos de glutamina como a alanil-glutamina. Este é absorvido e passa para a corrente sanguínea, podendo servir posteriormente de substrato para outros tecidos, incluindo principalmente o muscular.



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