Poluição e treino ao ar livre

Olha que curioso: tenho recebido muitos emails perguntando sobre treino ao ar livre numa cidade poluída como São Paulo. São excelentes questões que refletem a preocupação de muitos corredores ou atletas de parques e ruas da cidade quanto aos benefícios do treino e atividade física durante exposição ao ozônio e CO2 dos carros e industrias.

Mas eis que recentemente foi publicado um artigo sobre o assunto na "Medicine in Science and Sports Exercise" (Colégio Americano de Medicina do Esporte) esclarecendo algumas dúvidas.

Poeira, monóxido de carbono, dióxido de enxofre e outros elementos exalados pelos escapamentos de veículos são os principais vilões de uma metrópole como São Paulo.

O estudo, feito em São Paulo, detectou justamente o contrário: quem se exercita continuará tendo pulmões mais saudáveis que aqueles que ficam parados, mesmo respirando fundo um ar carregado como o de São Paulo. De duas turmas controladas, a turma que praticou exercício exposta à poluição apresentou níveis de inflamação pulmonar bem mais baixos que os verificados nos sedentários sob a mesma poluição, e bastante próximos daqueles que trabalharam em ar limpo.

"Acreditávamos que a atividade física potencializaria os efeitos nocivos, já que o atleta, enquanto corre, tem respiração mais profunda e frequente", diz o médico Rodolfo Vieira, coordenador da pesquisa. "Mas o estudo mostrou que o exercício tem um efeito protetor para os pulmões. Inibiu parcialmente a inflamação e as alterações induzidas pela poluição."

"Fazer esporte regularmente é um anti-inflamatório natural", diz Paulo Saldiva, chefe do laboratório de poluição atmosférica da Faculdade de Medicina da USP." A poluição, nos níveis de São Paulo, tira cerca de três meses de vida, enquanto o esporte dá mais de dois anos. Os benefícios que traz superam de longe os prejuízos."

No entanto, devemos ter cautela. A defesa do corpo não é ilimitada. "Quanto mais poluído o ar, mais difícil fica se defender", adverte Mauro Vaisberg, especialista em medicina do esporte e imunologia.

E isso foi mostrado em outro estudo ja publicado por Lawrence Folinsbee, Ph.D., que estudou a poluição e exercícios físicos durante 15 anos. Ele reconhece que é preciso mais pesquisas para determinar a relação entre a função pulmonar e exposição habitual de atletas à poluição do ar. E adverte que corredores que treinam regularmente no ar poluído podem sofrer alterações a longo prazo na função pulmonar.

A melhor estratégia para lidar com a poluição é evitá-la. Da mesma forma que não se deve correr ao meio-dia no Verão tropical, isso porque no verão há mais chuva e maior circulação de ar que ajudam a amenizar a concentração de fumaça porém concentram o ozônio. É ele que passa a ser o principal vilão dos dias em que a qualidade do ar paulistano fica inadequada.

Para não abusar dos pulmões nem precisar abrir mão da insubstituível atividade ao ar livre, há uma série de cuidados que podem e devem ser tomados. Vão desde ações simples, como balanceamento das refeições, até outras mais mirabolantes e diretas, como o uso de máscaras.

0 comentários: