Hormonio do Crescimento

Muitos alunos questionam sobre esse hormonio, tendo ouvido milagres com seu uso. Sempre há uma referencia na academia de um aluno que tornou-se maior e mais magro depois de algumas doses de GH. Será mesmo?

Estudos recentes indicam que 3,5% dos atletas americanos usaram hormônio de crescimento em doses elevadas de 3 a 8 mg diariamente por várias semanas, meses antes de eventos esportivos internacionais. No entanto, poucos estudos demonstram seus efeitos sobre o desempenho dos atletas, sendo uma das 20 substâncias proibidas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e suspeito de sérios “efeitos colaterais” como: aumento das extremidades do corpo, impotência sexual e câncer.

Antes da produção sintética desse hormonio, o GH era obtido em quantidades pequenas a partir da hipófise de cadáveres. Muitos atletas de fisiculturismo de décadas atrás faziam uso dessa origem. Diz a lenda que Schwarzenegger era um deles.

FISIOLOGIA

O GH (growth hormone) é secretado na corrente sangüínea pelas células somatotrópicas da glândula pituitária anterior. Durante a fase de crescimento, sob ação deste hormônio, quase todas as células nos tecidos aumentam em volume e em número, propiciando um crescimento dos tecidos, dos órgãos e, consequentemente, o crescimento corporal.

A maior parte da secreção fisiologicamente importante do GH acontece em forma de pulsos ou picos de liberação do GH, duram de 10-30 min e então retornam aos níveis basais, ocorrendo por volta de uma hora após deitar-se. Por isso a crença de que crescemos enquanto dormimos.

A quantidade e o padrão de secreção do GH muda ao longo de toda a vida. Os níveis basais são máximos durante a infância. A amplitude e a freqüência de picos são máximos durante o estirão pubertal. As crianças e os adolescentes sadios têm uma média de 8 picos a cada 24 horas. Os adultos, em média 5 picos. Os níveis basais, a freqüência e a amplitude dos picos caem ao longo da vida adulta.

 
Tem sido proposto que o aumento na quantidade de estresse mecânico, produzido pelo elevado número de repetições, a maior síntese e liberação de ácido lático e o processo de hipóxia durante exercícios resistidos podem estimular a liberação de GH (VANHELDER et al.,1984; KRAEMER et al.,2005).

EFEITOS POSITIVOS

Alguns de seus principais e conhecidos efeitos nos tecidos são:
  • Aumento na síntese proteica celular - Isso ocorre porque o hormônio do crescimento aumenta o transporte de aminoácidos através da membrana celular, aumenta a formação de RNA e aumenta os ribossomos no interior das células. Tudo isso proporciona, nas células, melhores condições para que as mesmas sintetizem mais proteínas.
  • Menor utilização de glicose pelas células para produção de energia - promove, assim, um efeito poupador de glicose no organismo.
Os efeitos do hormônio do crescimento nos tecidos do organismo podem ser geralmente descritos como anabólicos (efeito construtivo). Ele também promove a queima de gordura ao mover gordura armazenada para a corrente sanguínea para ser utilizada como energia. Por conta desse efeito mobilizador de gordura, o GH reduz a quantidade de glicose e proteínas usada como combustível.

No entanto, apresenta-se controverso na literatiura científica a real função do GH na hipertrofia oriunda de trinamento esportivo. Estudos demonstram que o uso do GH não é eficiente em aumentar a seção transversal das proteínas contráteis componentes dos músculos dos seres humanos.

Verificou-se que, ao se combinar o uso de GH e treinamento com pesos, ocorreram aumentos de massa muscular, no entanto, sem haver elevações nos níveis de força. Tais achados evidenciam que o aumento de peso corporal advindo do uso do GH seria, provavelmente, proveniente de proteínas não-contráteis e de retenção de fluidos (TAAFFE et al., 1994; YARASHESKI et al., 1995).

Nas crianças que apresentam deficiencia de crescimento, há a indicação de tratamento com o GH. São tratadas até fecharem as cartilagens ósseas, o que se dá por volta dos 16 anos nos meninos e por volta dos 15 nas meninas, ou são tratadas até atingirem uma estatura adequada.

EFEITOS NEGATIVOS

Administrar a dose correta de GH não é fácil e exige constante monitoramento. O excesso leva
com frequência ao diabetes, à hipertensão arterial, alguns tipos de câncer e a deformações no corpo, tais como protusão da fronte, aumento do nariz e dos lábios, das mãos e dos pés. Esse quadro é chamado de acromegalia (acro quer dizer extremidade e megalia, aumento).

Um erro frequente é a crença de que, "quando se usa GH deve-se comer muito bem, incluindo alimentos que forneçam energia, como carboidratos". Mas em doses elevadas deste hormônio, a primeira manifestação que se mostra com evidência é a elevação dos níveis de glicemia, pois o GH diminui o poder de resposta dos tecidos à ação da insulina. Dessa forma, eleva-se a glicemia no sangue (doses de baixa para média são o suficiente para elevarem de 20 a 50 pontos os níveis de glicemia em jejum).

Com níveis altos e constantes de glicemia, o pâncreas é obrigado a produzir, sem parar, insulina e mais insulina. Quem produz a insulina são células chamadas de ilhotas de Langerhans. Quando muito solicitadas, as ilhotas trabalham até literalmente estourarem. Quando muitas células morrem, instala-se um quadro de insulino-dependência e o indivíduo passa a ser diabético, mesmo que descontinue a administração de GH.

Muitos outros problemas além de diabetes podem surgir: gigantismo se na fase de crescimento, acromegalia se na fase adulta; e mais: cardiomegalia e cancer (o GH não origina tumores, mas os alimenta).

Além disso, ocorre ainda a diminuição de produção normal de GH pelo corpo, pois em quantidade excessiva a hipófise vai parar de produzi-lo, em feedback negativo. Assim, ao receber uma injeção de GH, o organismo suspende sua produção. Decorre disso que a queda desse hormonio gera diminuição de energia e tendência à depressão.

COMERCIALIZAÇÃO

Registrado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o GH é vendido nas farmácias, mediante receita médica, mas há ofertas de similares piratas até na internet. A somatropina é apresentada apenas na versão injetável. São duas ampolas, uma da proteína liofilizada (em pó) e outra de soro, cujos conteúdos devem ser misturados. A aplicação é subcutânea.

ANTIDOPPING

Por ser produzido pelo corpo e diferir em quantidades circulantes entre os indivíduos, variando de locais do origem e desenvolvimento do atleta, fica bastante difícil identificar os limites fisiológicos anormais em resposta à administração da droga.

Além do dopping, a secreção de GH pode ser afetada por diversos fatores como:  aumento da temperatura, hipoglicemia e estresse, ao passo que diminui com a obesidade e ingestão de b2 agonistas.

Em 2012, pela primeira vez na História um exame antidoping conseguiu detectar o uso de uma versão sintética do hormônio do crescimento humano (HGH) em um jogador de rugby do Reino Unido. O jogador Terry Newton, de 31 anos, admitiu o uso da substância e por isso foi demitido do seu clube, o Wakefield.

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