Uso de alcool no esporte


Muita gente tem dúvida sobre os efeitos do álcool no atleta ou rendimento na academia. Sempre oriento meus alunos a pararem de beber... ao menos exageradamente... Será o teu caso?

O ACSM (Colégio Americano de Medicina Esportiva ) revisou 44 artigos científicos da literatura internacional sobre o uso do alcool nos esportes e publicou seu posicionamento oficial quanto os efeitos agudos sobre a performance física:

1- Atletas podem consumir álcool para melhorar a função psicológica, mas a função psicomotora é a que mais deteriorará. Um resultado consistente é o impedimento de processamento de informações. Em esportes que envolvem reações rápidas para a mudança do estímulo, a performance pode ser adversamente a mais afetada.

Enquanto alguns teóricos sugerem que o álcool pode melhorar a autoconfiança, outras pesquisas revelam uma deterioração na performance psicomotora, demonstrando que uma pequena a moderada quantidade de álcool compromete o tempo de reação, a coordenação olho-mão, precisão, equilíbrio e coordenação complexa ou habilidade motora ampla.

2- Além ingestão de álcool não exercer influências benéficas como fonte de energia no exercício, ainda há indícios de queda de performance em importantes funções metabólicas e fisiológicas, tais como a regulação da glicemia e da temperatura corporal.

O glicogênio muscular em repouso é significantemente diminuído após consumo de álcool quando comparado ao grupo controle. E diversos estudos sustentam a teoria sobre os efeitos da hipoglicemia promovidos pelo álcool em atividades moderadas e prolongadas até a exaustão em ambientes frios.

O estudo de Juhlin-Dannfelt (2008) mostra que embora a presença de álcool não cause impedimento na lipólise ou utilização de ácidos graxos livres (AGL) durante o exercício, isso poderá diminuir a liberação de glicose pelo fígado e, portanto, decrescer o potencial de contribuição do fígado na glicogenólise, causando um maior declínio dos níveis de glicose plasmática e acarretando em hipoglicemia e decréscimo na captação de glicose pelos músculos esqueléticos durante estágios mais avançados que 3 horas de corrida.

Esses estudos também apresentam uma perda significativa na temperatura corporal, sugerindo que o álcool pode impedir a regulação térmica. Essas mudanças podem impedir a capacidade de endurance.

O álcool pode aumentar a freqüência cardíaca em atividades submáximas e o débito cardíaco, mas diminui a resistência vascular periférica.

Durante exercício máximo a ingesta de álcool resulta em nenhum efeito significativo na freqüência cardíaca, volume sistólico, débito cardíaco, diferença arteriovenosa de oxigênio, pressão arterial média, resistência vascular periférica ou pico de lactato, mas houve redução significativa no volume corrente, resultando em uma menor ventilação pulmonar.

3- A ingestão de álcool não melhora a capacidade de trabalho muscular e pode ser causa de decréscimo nos níveis de performance. Estudos mostraram que a ingestão de álcool pode decrescer a força muscular dinâmica, força isométrica de preensão manual, força medida em dinamômetro, potência e medida de potência máxima muscular.

4- Embora o abuso do álcool esteja associado a condições patológicas como miopatia esquelética generalizada, cardiomiopatia, câncer de faringe e esôfago e danos cerebrais, o efeito que mais tem sido observado está relacionado aos danos hepáticos e aos acidentes com veículos motorizados.

Metade de todas as mortes fatais e um terço das lesões ocorridas no trânsito, estão relacionadas ao álcool.

5- promove alterações no fígado, coração, cérebro, os quais estão fortemente relacionados com incapacidades e morte.

Por fim, o ACSM recomenda:

"Em função de o álcool não ter mostrado auxílio na melhora da capacidade de performance física, e estimular o decréscimo de certas habilidades em alguns eventos, é importante para todos aqueles que organizam atividades esportivas para atletas de endurance, serem contrários ao uso do álcool em atividades atléticas."

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