Salto alto para mulheres

Minhas alunas sabem o quanto eu peço para evitarem, mas concordo que esse sapato seja fundamental nos momentos profissionais e eventos sociais. Então, como fazer para que ele não te prejudique tanto?

Pesquisas recentes mostraram que 40% das mulheres já sofreram algum acidente com os saltos e mais de 33% desenvolvem problemas de saúde permanentes, variando de desvio dos dedos e joanetes até lesões irreversíveis nos tendões.

Alguns dos problemas (que podem ocorrer simultaneamente) são: desvios posturais, lesões em ligamentos e músculos, artrites, tendinites, lombalgia, estiramento de isquiotibiais, cefaleia, encurtamento do tendão de aquiles, etc

Essa ilustração é bastante esclarecedora e dispensa comentários:
 
A figura abaixo mostra o desvio postural que o salto exige. Perceba que para manter-se sobre os saltos, é necessário um desvio do eixo da gravidade do corpo, com peso na parte da frente dos pés. Essa é a causa da queixa mais comum nos consultórios: a dor na ponta dos dedos dos pés, ou a denominada metatarsalgia. Há casos que a simples caminhada por distâncias mais longas torna-se bastante dolorida às pacientes.

Além disso ocorre a hiperextensão dos joelhos, forçando a lordose da coluna lombar e o relaxamento do musculo do abdome. Essa situação expõe a coluna a sofrer com o impacto dos saltos no chão, sem a proteção que o abdome faria.

Eis então que a mulher que está sempre de salto alto terá o vício da lordose, da flacidez abdominal, da hiperextensão dos joelhos e do encurtamento e enrijecimento do tendão de Aquiles (no calcanhar).

Os joelhos sofrem pela hiperextensão e, sendo geralmente tipo valgo, ou seja, ligeiramente virados para dentro, estão ainda mais sujeitos à condromalácia (desgaste da cartilagem entre o fêmur, o osso da coxa e a patela).

E devido a postura incorreta e ao eixo gravitacional alterado, serão os ossos e articulações a absorverem os impactos do corpo, invés dos músculos. Certamente essas transferências de funções propiciarão problemas ao longo da coluna, no quadril, nos joelhos e nos tornozelos.


Mas além dos prejuízos nas estruturas internas do corpo, que causam dores e estresse, há ainda as joanetes que sujam a aparência dos pés femininos. São calosidades ósseas que crescem na articulação do dedão devido à pressão do corpo sobre a pequena área dos pés que devem suportar o peso do corpo contra a lateral dos sapatos de bico fino.
 
Pior ainda para quem tem o dedão mais avantajado em relação aos demais dedos. A pressão do sapato além de provocar a joanete, promove o encurtamento dos músculos eretores e flexores dos dedos.
 
 
Para minimizar os riscos do uso dos saltos, não é preciso jogar os sapatos fora. Basta guarda-los na bolsa ou numa sacola e usá-los somente o mínimo de tempo necessário, trocando-o por outro salto menor e mais saudável.
 
Especialistas afirmam que o modelo mais indicado para quem não deseja maltratar tanto os pés é o anabela, pois a descarga de peso na região ocorre de forma mais adequada.
 
E nos momentos de salto baixo ou de tênis, lembrar de usar a postura correta do corpo, com músculos ativos na recepção dos impactos e articulações soltas e bem colocadas: pés bem distribuídos em peso e eixo, joelhos levemente flexionados, quadril "encaixado" na sua báscula normal (sem lordose) e abdome contraído.  
 
Há no mercado palmilhas que prometem a melhor distribuição do peso sobre os pés. Se você conseguir achar um modelo que lhe fique confortável, pode ser uma boa pedida.
  
 
Por fim, saiba que a musculação e o alongamento das pernas tornam-se imprescindíveis para evitar maiores malefícios dos saltos.

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