Masturbação e hipertrofia

Bastante controverso, esse assunto tabu tem gerado dúvidas de muitos alunos. Há gente que indica como forma de aumentar a liberação de hormônios. Há outros que dizem ser desperdício dos mesmos. Afinal, o que a ciência diz?
 
Os músculos sofrem forte ação dos hormônios, em especial da testosterona (hormônio predominantemente masculino) e do GH (hormônio do crescimento). Eles participam na
construção de fibras e na hipertrofia muscular, seja no reparo pós treino, seja durante o crescimento do organismo.
 
Aliás, uma das lendas desse assunto advém justamente da puberdade, pois se os adolescentes constroem tantos músculos com fase de masturbação exagerada, logo isso poderia afetar também os atletas de hipertrofia.
 
Para avaliar essa e outras hipóteses quanto aos efeitos da masturbação no anabolismo, alguns pesquisadores estudaram a diferença do perfil de hormônios no corpo antes, durante e depois do orgasmo da masturbação. Isso porque a ejaculação seria pré condição e início da variação de concentração de testosterona no corpo.
 
Uma breve revisão de literatura sobre o tema mostra-se inconsistente de conclusões. Alguns estudos afirmam que a masturbação aumentaria a testosterona pelo efeito de feedback negativo. Por outro lado, há estudos que dizem que a abstinência é que faria isso:
 
  • Em 1976 Java et col. não encontraram qualquer variação significativa desse hormônio nos momentos antes ou depois da ejaculação.

  • Já PURVIS ainda em 1976 concluiu um aumento de todos os esteróides depois da masturbação, especialmente no Pregnenolona e DHEA (deidroepiandrosterona), precursores de testosterona.

  • Em 1995 Mantzoros pesquisou o comportamento sexual e o nível hormonal dos militares e concluiu que um aumento de 1.36nmol/l (cerca de 2SD) de di-hidrotestosterona, um metabólito biologicamente ativo do hormônio testosterona formado principalmente na próstata, testículos, folículos capilares e glândulas adrenais,  correspondeu a um aumento médio de um orgasmo por semana.

  • Em 2001 Exton et col. analisaram um período de abstinência de 3 semanas sem orgasmo. Concluiu que não houve mudanças na resposta endócrina e cardiovascular, porém houve aumento no nível sérico de testosterona.

  • Em 2003 Jiang et col. concluíram que ejacular todos os dias também não altera essa concentração, que poderia apresentar leve variação somente após 7 dias de abstinência.
 
A conclusão que se chegou ao assunto foi que a masturbação diária não afetaria o rendimento e nem a variação dos níveis hormonais. Somente a partir de 7 dias de abstinência é que haveria maior acúmulo de testosterona no corpo.
 
Daí decorre outra dúvida: o jejum sexual dos atletas antes das competições.
 
Alguns técnicos orientam seus atletas a não praticarem sexo antes de importantes competições. Acreditam que esse acúmulo de testosterona aumentaria a agressividade e sua explosão. No entanto, estudos de Boone (1995) e Shrier (2000) não relatam qualquer fundamento nessa estratégia técnica.
 
Claro que a pratica sexual consiste de uma atividade física e, quando exagerada na demanda de movimentos, duração e intensidade, poderá sim exaurir a musculatura e prejudicar o rendimento físico do atleta. No entanto não altera seu perfil hormonal.

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