AVC e atividade física


Mais de 5 milhões de pessoas morrem anualmente de AVC (Acidente Vascular Cerebral) no Brasil e aproximadamente 50% dos sobreviventes tem sequelas graves. Saiba reconhecer a doença e como a atividade física pode ajudar a recuperar das sequelas...

Os números impressionam. Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil são aproximadamente 100 mil casos de AVC, sendo 43 mil na região Sudeste e 21 mil em São Paulo. No Rio são quase 11 mil casos. Quando não  mata, o mal leva a sequelas graves que atingem em torno de 50% dos sobreviventes.

Apesar de mais comum em pessoas acima dos 65 anos, cerca de 10% dos casos incluem indivíduos abaixo dos 55 anos e 4% abaixo dos 45 anos. Os jovens estão sendo vitimados devido a problemas de coagulação e doenças do coração até maus hábitos, como consumo de álcool, drogas e fumo, estresse, má alimentação e falta de atividade física.

Estudos indicaram que pessoas estressadas tem maior risco de derrame, devido a elevação do cortisol no sangue que agrava a hipertensão e diabetes, complicando também o controle do colesterol.

 
O AVC ocorre quando uma artéria é tapada ou obstruída ou quando se rompe um vaso sanguíneo, ficando a área afetada sem o oxigênio necessário para manter os neurônios vivos. Um exame de tomografia ou ressonância magnética do cérebro identifica dois tipos de AVC:
  1. O AVC isquêmico é mais comum (cerca de 80% dos casos) e é provocado pela falta de sangue em determinada área do cérebro, decorrente da obstrução de uma artéria.
  2. O AVC hemorrágico é originado pelo rompimento de um vaso intracraniano que promove uma hemorragia cerebral.

Identificando Sintomas

Os sintomas do AVC surgem repentinamente e seus principais sinais são:
  • enfraquecimento,
  • adormecimento ou paralisação de braço ou perna de um lado do corpo;
  • perda de força na face, o que pode causar desvio da boca para um lado (ela fica torta);
  • alteração da visão, com turvação ou problemas especialmente em um olho,
  • episódio de visão dupla ou sensação de "sombra" sobre a linha do que se enxerga;
  • dificuldade de falar ou entender o que os outros estão dizendo;
  • dor de cabeça súbita, forte e persistente;
  • debilidade na capacidade de engolir;
  • tontura, desequilíbrio, falta de coordenação ao andar ou mesmo queda.
No AVC isquêmico, os detonadores mais relevantes são: idade avançada, história familiar, diabetes, tabagismo, hipertensão arterial, colesterol alto, sedentarismo, obesidade e males cardíacos.

No AVC hemorrágico, os detonadores mais relevantes são: hipertensão mal controlada, aneurismas cerebrais, dificuldades de coagulação e também idade avançada. Além da tendência genética à trombose, uso de anticoncepcional associado ao tabagismo ou à enxaqueca com aura (em que há outros sintomas como distúrbios visuais), endocardite (infecção no coração) e uso de drogas.

Ao identificar os sintomas, a vítima deve ser levada com urgência para o hospital a fim de que a equipe médica tente desobstruir a artéria antes que a lesão se torne irreversível - quando uma área do cérebro fica privada de sangue, ela para de funcionar mas demora um tempo até que os neurônios morram.

No AVC isquêmico, a rapidez previne a lesão permanente da área cerebral afetada e diminui as chances de sequelas e morte; no hemorrágico, também afasta a ameaça de lesões permanentes e diminui a mortalidade e a ocorrência de novas hemorragias.


 

Depois do AVC

As sequelas dependem do tamanho e localização da lesão e da idade do paciente. De modo geral apresentam:
  • dificuldade de movimentação de um ou mais membros (geralmente de um lado do corpo),
  • entraves de comunicação (expressão ou compreensão),
  • engasgos de glutição e fala,
  • alterações na coordenação motora,
  • sensibilidade reduzida em determinado local,
  • visão dupla e complicação para enxergar.
Importante lembrar que todo paciente que sofreu um episódio de AVC apresenta propensão maior para outro evento igual. Portanto é obrigatório seguir e controlar rigorosamente os fatores de risco.

Fisioterapia

As áreas cerebrais saudáveis são capazes de compensar outra que sofreu um derrame, sendo estimuladas para reabilitar o paciente e minimizar as sequelas. Tais ações são possíveis com estímulos bem planejados por uma equipe multidisciplinar que inclui fisioterapeutas, psicólogos e educadores físicos.

É preciso tempo e paciência na fisioterapia, além de muita força de vontade do paciente.  Pois, apesar de não diminuir a área prejudicada pelo AVC, a fisio ajudará no resgate de funções na região de "penumbra", ou seja, a área de lesão transitória ao redor do local do derrame.

O objetivo é devolver a capacidade motora e dar maior independência ao paciente para que realize suas atividades cotidianas sozinho.


Atividade física

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a inatividade física é o quarto principal fator de risco para a mortalidade global, estimando-se que cause 3,2 milhões de mortes anualmente em todo o mundo.
 
Além disso, a atividade física pode ajudar a prevenir ou remediar as doenças que mais causam mortalidade. Apresento dois (de inúmeros) estudos publicados recentemente sobre essa certeza:
 
Estudo 1. Uma equipe da Universidade do Alabama analisou dados de 27.000 pessoas e identificou que a falta de atividade física relatada por 33% dos participantes estava associada a um risco 20% superior de vir a sofrer um AVC. Os mais ativos por sua vez, que faziam exercício pelo menos 4 vezes por semana, apresentavam menores hipóteses de ter um destes episódios.
 
"O efeito protetor desempenhado pela atividade física intensa pode dever-se ao seu impacto contra os fatores de risco tradicionais do AVC, como a hipertensão e a diabetes", explica Virginia Howard, principal autora do estudo. 
 
Estudo 2. Outro estudo, da London School of Economics, da Harvard Medical School e da School of Medicine da Universidade de Stanford comparou os resultados de várias pesquisas para determinar a eficácia do exercício e a dos medicamentos em pessoas com doenças cardíacas, história de acidente vascular cerebral, pré-diabetes e insuficiência cardíaca.
 
A equipe desse estudo descobriu que o exercício era mais eficaz do que os medicamentos no caso das pessoas que tinham tido um acidente vascular cerebral, enquanto os fármacos eram melhores para tratar a insuficiência cardíaca.

Na recuperação

Os estudos também sugerem que se deve exercitar os pacientes no limite das suas capacidades (previamente avaliadas) tanto funcionais como fisiológicas, sendo que nas fases iniciais do tratamento os programas de exercício deverão ser monitorizados.
 
A atividade física extenuante pode levar a arritmias, subindo a pressão e favorecendo o AVC. Por isso pessoas que tem doenças crônicas, em especial os fatores de risco do derrame, devem ser sempre supervisionadas por profissionais da área e, se possível, de forma individualizada.
 
O exercício físico regular, de baixa a moderada intensidade em indivíduos que sofreram um AVC, demonstrou vários efeitos positivos:
  • Redução dos sintomas depressivos
  • Aumento do limiar de angina
  • Aumento da capacidade funcional
  • Melhoria do perfil lipoproteico
  • Melhoria na tolerância à glucose
  • Prevenção da diminuição de massa muscular e de massa óssea
  • Manutenção das amplitudes articulares e da flexibilidade
  • Prevenção do risco de quedas
  • Diminuição da frequência cardíaca submáxima e da pressão arterial em repouso
  • Maior confiança para participarem em programas de exercício físico
  • Melhoria nas atividades diárias com menor esforço e cansaço


leia um depoimento publicado no UOL sobre atleta que teve AVC... http://www1.folha.uol.com.br/esporte/2013/11/1366104-brasileira-e-campea-mundial-de-para-atletismo-apos-sofrer-avc-e-ter-tumor-na-cabeca.shtml

0 comentários: