Fratura e recuperação

Acidentes acontecem e dentre as consequências estão as fraturas.  Mas como se recuperar logo e voltar aos treinos? 


A fratura simples ou fechada é a mais comum, sem desvio do osso ou perfuração da pele. Mas há outros tipos de lesões podem não ser tão fáceis de ser reparadas:
 
  • Fratura exposta - o osso quebrado perfura a pele.
  • Fratura impactada - uma ponta do osso fraturado é empurrada contra outra.
  • Fratura cominutiva - parte do osso se estilhaça em fragmentos.
  • Fratura parcial - o osso se dobra e racha, mas sem quebrar.
  • Fratura por avulsão - uma poderosa contração muscular separa o tendão do osso, forçando uma fratura.
  • Fratura patológica - ossos enfraquecidos por uma doença se quebram mesmo diante de impactos fracos.

Geralmente o tratamento da fratura começa por:
  • Redução da fratura, que consiste no reposicionamento ósseo feito pelo médico ortopedista;
  • Imobilização que consiste em colocar o gesso ou tala gessada na região da fratura.

  • Quase imediatamente depois da quebra, o corpo começa a tentar corrigir o problema. Phillips (2005) divide a resolução de fraturas em cinco fases temporais:

    1. Formação de Hematoma
    Quando um osso se quebra também se rompem alguns vasos sanguíneos que percorrem o osso, causando um coágulo chamado de hematoma. Esse coágulo também interrompe o fluxo de sangue para extremidades partidas dos ossos que, sem receber sangue, morrem suas células ósseas rapidamente.

    2. Inflamação
    Seguem-se inchaço, inflamação e dor devido ao trabalho das células que estão removendo tecidos mortos e danificados. Pequenos vasos sanguíneos se estendem até o hematoma sobre a fratura a fim de alimentar o processo de cura.

    3. Angiogênese
    Depois de alguns dias o hematoma se transforma num tecido mais duro que forma o calo mole, onde as células chamadas fibroblastos começam a produzir fibras de colágeno, a mais importante proteína dos ossos e do tecido conectivo.

    4. Formação de cartilagem
    Depois os condroblastos começam a produzir a fibrocartilagem, que endurece o calo preenchendo o espaço entre as partes fraturadas do osso num processo que dura aproximadamente três semanas. Em seguida, os osteoblastos começam a produzir células ósseas, calcificando o calo ósseo. Essa cobertura rígida dura de três a quatro meses e oferece a proteção e a estabilidade necessárias para que o osso entre em seu estágio final de cura.

    5. Remodelação óssea
    Mas esse tecido ainda precisa de muito trabalho antes que o osso possa absorver a carga costumeira de peso. Osteoclastos e osteoblastos passam meses remodelando o osso e substituindo o calo ósseo por matéria óssea compacta, de maior dureza. Essas células também reduzem o volume do calo ósseo e devolvem o osso ao seu formato original. A circulação sanguínea no osso melhora e o influxo de nutrientes que ajudam a reforçar os ossos, como o cálcio e o fósforo, dão maior resistência ao osso.

    Alimentação e suplementos

    Alguns alimentos são importantes para garantir a perfeita consolidação óssea e a regeneração dos tecidos lesionados. Quando consumidos diariamente podem ajudar o indivíduo a se recuperar mais rapidamente de uma fratura.

    • alimentos ricos em cálcio: iogurte natural em jejum; leite e queijo;
    • alimentos ricos em vitamina C: laranja, limão, acerola e abacaxi;
    • alimentos anti-inflamatórios: alho, cebola, atum e salmão;

    O cálcio é o mineral mais necessário e importante na consolidação da fratura. Mas sem a vitamina D, que controla sua absorção no intestino,  o organismo não absorve o cálcio ingerido. Mesmo tomando suplementos de cálcio sem vitamina D não absorveremos esse cálcio.

    Estudos recentes mostraram que quase 80% dos pacientes com traumas ósseos têm algum tipo de deficiência nos níveis de vitamina D. Segundo a pesquisa, feita por uma equipe da Universidade de Missouri, os baixos índices da vitamina estão relacionados com fraqueza muscular, maior incidência de fraturas ósseas e com problemas na recuperação completa.

    Importante notar que nas fraturas expostas ou casos cirúrgicos deve-se evitar alimentos doces, pois quanto mais açúcar no sangue, pior a cicatrização da pele.

    Alguns artigos sugerem ainda tomar um suplemento de colágeno hidrolisado. No entanto, mesmo que o indivíduo consuma os alimentos ricos em colágeno regularmente, somente cerca de 1% será absorvido pelo corpo. Todo o resto do colágeno que temos é resultado da fabricação do próprio corpo, que tende a diminuir com o passar do tempo até que finalmente chegue ao fim no envelhecimento.

    De qualquer forma, para melhorar a absorção do colágeno e cálcio presente nos alimentos, é importante o consumo de alimentos ricos em vitamina C (como laranja e abacaxi) na mesma refeição, pois eles potencializam a absorção em até 8 vezes.


    Como recuperar os movimentos e a força muscular depois de uma fratura?

    Para recuperar os movimentos e a força muscular depois de uma fratura é aconselhado fazer fisioterapia. A articulação imobilizada tende a ficar muito rígida e para recuperar o seu movimento aconselha-se a realização de exercícios de mobilização articular e os exercícios de fortalecimento são indispensáveis para que o indivíduo recupere-se completamente.

    A fisioterapia é fundamental na fase pós-fratura e pode ser iniciada após cirurgia. Em casos em que há somente imobilização, a terapia inicia-se quando há consolidação. O protocolo usado tem como
    finalidade diminuir o edema, recuperar amplitude de movimento, fortalecer a musculatura e fazer a reeducação da função do local atingido (Thonson et al, 2002).

    Os objetivos principais de um programa de exercícios precoces são basicamente:
    • manutenção da força muscular
    • recuperação de amplitude de movimento
    • prevenção de restrição articular
    O tratamento inicia-se com exercícios passivos, evoluindo para ativo-assistidos, ativo-livres e finalmente resistidos.

    3 comentários:

    Rita Colaço disse...

    Agradecida pelos esclarecimentos.

    Rita Colaço disse...

    ...sugeriria abordar as lesões ósseas em pacientes idosos. O incrível aumento desse segmento populacional aumenta a demanda por informações sobre eventos lesivos.

    Unknown disse...

    Ótimo texto!! Obrigada pelos esclarecimentos....