Assimetria de força dos lados

Você acha que um braço é mais forte que o outro? Ou tem uma coxa mais grossa que a outra? Entenda sobre assimetria de músculos e lateralidade...
O teu lado dominante apresenta mais força muscular, mais precisão e maior rapidez na execução de tarefas. Essa dominância chama-se "lateralização" e reflete a especialização hemisférica do cérebro e a organização funcional do sistema nervoso central.

LATERALIDADE

Sabemos que a metade esquerda do corpo é controlada pelo hemisfério direito e vice-versa. Quando há dominância do hemisfério esquerdo, temos o indivíduo destro.

Diversos autores (Negrine, Freire, Romero, Fischer, Go Tani) ressaltam que o desenvolvimento do domínio corporal é um dos fatores fundamentais no processo de aprendizagem motora escolar. Ou seja, é durante o crescimento infantil que a lateralidade se define.

Quando não estabelecida, surgem dificuldades a nível espacial e cognitivo. A criança não percebe a diferença do lado dominante, não aprende a utilizar os termos direito e esquerdo, apresenta dificuldade em seguir a direção gráfica da leitura e escrita, dentre outros distúrbios:

- Quedas mais frequentes;
- Fraca coordenação visual-motora;
- Leitura lenta ou muito pausada;
- Dificuldade em manter a atenção;
- Confusões direita-esquerda que dificultam a compreensão de sinais, símbolos, números, localização, direção, etc

ASSIMETRIA

Não é raro nas academias os alunos sentirem diferença de força, equilíbrio, coordenação e agilidade entre os lados do corpo.

A maioria dos alunos relatam maior equilíbrio do lado direito e mais força na coxa esquerda. Nesses casos, que geralmente acontecem com destros mal treinados, não tiveram durante seu desenvolvimento motor o estímulo correto da bilateralidade das tarefas.

Muito comum são as evidentes assimetrias de volume muscular entre os lados. Na maioria das pessoas é possível corrigir isso. No entanto, dependendo do grau e causa dessa assimetria (erro de treino, anomalia genética, variação anatômica individual), igualar completamente os lados pode levar muito tempo. Ou nem isso.

O agravante dessa assimetria refere-se às lesões que podem surgir no favorecimento de um lado em detrimento do outro, conforme Schot et al. (1994). Se o grau de assimetria ultrapassar um determinado limiar (10-15%) o risco de lesões pode aumentar significativamente. Daniel et al. (1982) são mais rigorosos, sugerindo que o índice assimétrico seja inferior a 10%.


TRATAMENTO

O treino funcional é muito indicado para a correção de assimetrias, em especial com uso dos exercícios unilaterais. Mas o principal diferencial dos exercícios funcionais é o resgate da eficiência nos movimentos para as atividades do dia a dia, por meio do treino do centro do corpo, chamado de CORE. 

Os exercícios utilizam movimentos cotidianos como empurrar, puxar, agachar, girar, lançar, entre outros, aprimorando o sistema sensório-motor e proprioceptivo e estimulando o treino bilateral das tarefas e sua coordenação neuromuscular.

Segundo Campos e Neto (2004) os exercícios unilaterais exigem maior controle motor e a concentração de uma quantidade maior de músculos estabilizadores das articulações, que geralmente não ficam fixas em indivíduos assimétricos.

Um erro observado em leigos nas academias é treinar o membro mais fraco com carga mais alta que o membro dominante. Essa estratégia não ajuda a corrigir a assimetria, podendo inclusive piorar.


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